quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Amor por Decreto

Decreto é um instrumento legal destinado a ser cumprido. Carrega na sua essência uma mera exigência, exequível sem discussão, sem choro e sem vela.

Num mundo de relacionamentos e relações instantâneas acaba surgindo a figura do agente como vitimado, ou seja, agimos de acordo com o que queremos, fazemos coisas aos atropelos, não temos tempo necessário para conhecermos o outro nem damos tempo para que nos conheçam.
Saímos (ou "saem" como queiram), estropiados de relacionamentos fugazes, sem aprofundamento e muitas vezes sem qualidade. Aí é que entra o agente-vítima. Agimos e depois delegamos ao outro todos os reflexos de nossa frustração. É bom lembrar que até chegarmos a frustração percorremos um caminho iniciado pelo desejo pessoal;  na etapa seguinte lançamos esse desejo ao outro e quando não correspondidos nos sentimos traídos, e escolhemos o nome de traição porque não sabemos que o verdadeiro sentimento é de fato uma frustração.

Se desejo é algo pessoal, a frustração (que dele é decorrente) também o é. E  por isso, por mais  que inventemos  palavras, formas elaboradas de descrever ou interpretar o que sentimos, estamos apenas intelectualizando nossos próprios sentimentos, deixando de focar no mais simples, perdendo a possibilidade de entender porque chegamos a isso ou aquilo, ou porque não chegamos a canto algum.

O que ocorre nesse atropelo de sentimentos e fugacidades, é uma tentativa desesperada de tentar impor ao outro o que é o nosso desejo. Temos aí  então nascendo o "amor por decreto", que inclui revindicações desmedidas, condições unilaterais, exigências imediatas, tudo sem a participação do outro. E é claro,  quando fazemos "tudo sozinhos" nos sentimos sobrecarregados e precisamos com urgência aliviar a nossa própria carga para continuarmos a caminhada, muitas vezes em busca de um caminho novo... A mesmice precisa ser vencida (também!) rapidamente. E como temos muita pressa de nos livrarmos de sentimentos incômodos, deixamos o que nos aborrece para procurar outra forma mais leve, menos angustiante de nos  relacionarmos, sem nos darmos conta de estarmos num círculo repetitivo de afetos sequencialmente uniformes, uma gangorra de sentimentos inconclusos, um mar sem fim de possibilidades com grau praticamente inexistente de satisfação.

Tem solução? Não sei. Tem formulas! Em qualquer livraria vai ter muito bem exposta uma vasta literatura te vendendo as "pistas"...   Só que as vezes a  vida te pede uma pouco mais de calma, o corpo pede um pouco mais de alma.

E o amor que é tão raro, não vai acontecer por meio de um Decreto,


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