Enquanto enchia uns galões d'água, pude verificar a veracidade dessa afirmação. Apareceu o cavalo e ela começou: "E aí cara, tudo bem? Hein? Veio me dar bom dia? Conta aí, como estão as minas... já sei: não quer me contar, né? Hummmmm..." e foi...
Quem já passou por uma separação sabe da dureza desse luto. E ela estava assim. Chorava muito, não conseguia mais cuidar das casa, das crianças. Uma amiga resolveu levá-la para o Centro Espirita. Quando o médium lhe perguntou o que estava acontecendo, ela se agarrou com ele, com a cabeça no seu ombro se debulhou em lágrimas, explodindo em soluços incontroláveis, encharcando toda a manga do traje branco, deixou o homem ensopado. Ele percebeu que era muito sério, recomendou um longo tratamento. Muitas voltas até o Centro, uma rosa vermelha que deveria ficar na sua cabeceira durante uma semana e depois trazê-la de volta ao Centro. Foi fazendo o indicado, no sétimo dia ouviu um estrondo na sala, o gato havia alcançado uma lembrança do ex casamento que estava guardada dentro de um armário, que caiu por cima da rosa e se despedaçou no aguaceiro com tudo o mais que já estava despedaçado.
Continuou indo ao Centro mesmo sem aparente melhora de seu estado de espirito.
Continuava em casa no circuito cama, pijama e lágrimas até que o controle remoto da televisão despencou pelo chão, mudou de canal sozinho e ela começou ouvir vozes. "Ei você que está ai, sofrendo, chorando, que terminou um casamento, eu preciso falar com você". Ainda de quatro no chão com o controle da mão ficou olhando para tela. E ele continuava " Hoje vou estar em Barueri". E pensou: se pelo menos fosse em Alphaville... "No km 20 da Castelo Branco" . Do lado de casa... Ela foi se arrumando, desgrenhando o cabelo, se levantando do chão, vestiu roupa e foi para a Igreja.
Um tanto de gente, aquela coisa forte, fervendo, parecendo o Rock in Rio, aquele uuuuuuuuuuuuuuu, e o Centro Espirita ficou parecendo água com açúcar diante do pulso daquela energia. Fechou os olhos, começou a orar, se entregou. Quando abriu os olhos um circulo imenso se fazia ao seu redor, tomou um susto e pensou: "agora chegou a hora do dinheiro, se eu soubesse que ia ter tanta gente teria passado no caixa eletrônico".
Foi para casa. No jardim da casa encontrou a irmã socióloga preocupada e atéia, que lhe perguntou por onde ela andava: " Eu nem te conto... fui no culto". Como assimmmmmm!!!!?? "O Pastor me chamou pela televisão".
Desde aquele dia ela nunca mais chorou. Continua gostando de coxinha de jaca, falando com o cavalo, com as pedras do caminho, com as águas da cachoeira e acho que, também, está começando a curtir um amor novo...


