Hoje trabalhei ferozmente no jardim. Arrancar matos com as próprias mãos é um delírio. Saem fáceis como as coisas difíceis.
Deixo o celular despertar para não me alienar entre plantios e meus atendimentos online.
Planto, replanto, capino.
Esse modus operandi me coloca em contato com minhas memórias infantis, presentes e futuras.
Faço pedidos silenciosos para que a terra receba as sementes depositadas.
Me perco entre conluios e preces para que a terra tenha a costumeira generosidade de as acolher com calma e boa vontade, dando as flores e frutos necessários.
O próspero caroço de abacate recebeu um lugar de honra na sombra relativa das Araucárias. Recolhi galhos de Hortênsias fincando-os fielmente ao longo da estrada, que um dia alguém os verão floridos. Espalhei mudas de citronela (da qual tomei inúmeros chás pensado que fosse cidreira...). Plantei as mudas das ervas medicinais que ganhei de Dona Carminha, para quem precisar se curar de males do estômago ou circulatórios.
Termino a noite, il faut, com um paieiro a me acompanhar em uma chuva de reluzentes vagalumes intermitentes.