quinta-feira, 19 de março de 2015

Para que Alice não continue perdida

Alice:"Você pode me ajudar?"   
Gato: "Sim, pois não."
Alice:"Para onde vai essa estrada?"
Gato:"Para onde você quer ir?"
Alice:"Eu não sei, estou perdida."
Gato: "Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve."

Para que Alice não continue perdida.

Se as respostas estão todas erradas é preciso examinar o seu nascedouro e esse nascedouro nada mais é do que a perguntas que estão sendo formuladas.  Para quem não sabe perguntar qualquer resposta serve. Se Alice não sabe onde vai, vai continuar mesmo perdida.
 
Estamos perdidos todos nós.

Um racha social impera.  A ofensa entre classes está institucionalizada ( e isso interessa a muitos, principalmente para aquele que cunhou a expressão “elite branca”,  não que ela não exista...).  A nossa grande vergonha nacional é a escravidão que durou mais de três séculos, e continua até hoje através de meandros e de perguntas mal formuladas.

A elite branca e o jeitinho brasileiro são irmãs siamesas.  Trazemos de um fatídico Império essas duas gracinhas. Numa de suas primeiras cartas ao Rei,  Caminha já pedia que o império intercedesse a favor de um cunhado que precisava de um  “jeitinho”  da recém  fundada  Pátria Amada.
 Muito pensei  que, essa nossa condição fosse alguma  herança atávica maldita mas,  nem isso é.  A  transmissão atávica costuma pular algumas gerações e aqui em terras nossas nunca houve sequer uma geração em que essa maldição não estivesse acionada.  Talvez seja a isso que a nossa Presidente se refira,  repetindo sem parar que a corrupção não é criação recente, em outras palavras, criação do PT. Não foi criação do PT mas... foi por ele aprimorada, refinada e avantajada. Não sou quem digo, mas a mídia mundial reputa ao Petrolão  o maior escândalo de corrupção de que se tem notícia. E olha que as investigações estão só começando e dinheiro de corrupção é inapurável no seu valor real, visto que a contabilidade “oficial” será sempre “oficiosa”
.
A pergunta que interessa agora é:  “se” e “como” acontecerá a reforma política?  É preciso que elite branca, periferia, paneleiras  e principalmente  brasileiros e brasileiras, se inteirem da importância dessa reforma e como somente ela  irá nós beneficiar se soubermos o que estamos de fato pedindo.  A sociedade somente estará coesa para essas perguntas e reivindicações  se estiver bem informada do que isso significa.  Por que está empacada desde 1990? O que pode recolocar o legislativo nos trilhos? Voto obrigatório ou facultativo? PEC 344 e 352, o que é?  O que significa o voto distrital “puro”? Como se dá efetivamente a legitimidade de posse dos nossos constituintes hoje, o que precisa ser mudado? Financiamento de campanha ( preste  atenção no que o PMDB sobre essa questão!).  
A sociedade precisa discutir e pressionar firmemente contra o fim do financiamento  de campanha ( os partidos que arquem com suas campanhas e tratem de nos representar, já pagamos muito para alimentar essa máquina legislativa de quase 600 parlamentares). Lutar para que mecanismos paralelos (novos “jeitinhos”) não sejam instaurados com esse fim. Não deixar que essa reforma seja somente para inglês ver  ou delegá-la exclusivamente aos próprios constituintes que nunca decidirão nada que limite a extravagância de seus poderes.  Chega da criação de novos partidos, já temos muitos e pagamos por todos eles, através do Fundo Partidário. Se a sociedade não estiver à postos fazendo as perguntas pertinentes e com clareza, continuará achando que quem manda no  Brasil é o Presidente e se dará fenômenos ( previsíveis) como esses que estão aí.  A metade da população escolheu Dilma e quatro meses depois a rejeita.

Minha gente, ir para as ruas é ato louvável e necessário. Mas,  não adianta ir pedindo Impeachment ( o PMDB já sinalizou que  não é viável, portanto,  forget it).  À  luz de um exame legal o impeachment não passa e isso não é só uma vontade popular, como provavelmente as pessoas que estão gritando pelo  impeachment  imaginam. Gritar pelo que não é possível é mero desgaste,  fruto de  informação equivocada.

Não adianta ir para as ruas e dizer que está ali contra a corrupção. Isso é muito genérico. Combater a corrupção demanda  reforma política e para chegar até essa reforma é preciso informar-se, estudar, inteirar-se de como as coisas funcionam para exigir mudanças  necessárias de base. A reforma política tem que atender aos brasileiros e não a classes sociais ( favorecidas ou desfavorecidas).  Quem nos representa tem que estar lá para nos representar, não para conchavar, mudar de partido a torto e a direito, criar uma moral própria e agir a partir de sua própria criação.
Onde estão os universitários desse País? Nossas grandes esperanças que poderiam estar participando desses debates e com a  força de seus sonhos  mobilizando a  população? E o movimento “Passe Livre” tão meteoricamente silenciado? Estão divididos e diluídos (ilusoriamente) entre o que é PT e o que PSDB.

Reforma PolíticaJÁ!

Temos a grande chance de viver um momento histórico que somente logrará êxito se soubermos fazer as perguntas certas ou continuaremos todos Alices.

Eu acredito na mobilização popular esclarecida! Não acredito na mobilização festiva, tendenciosa  ou desinformada ( por que aí ou vira escola de samba ou torcida de futebol). Chega disso, né?





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