Alice:"Você pode me ajudar?"
Gato: "Sim, pois não."
Alice:"Para onde vai essa estrada?"
Gato:"Para onde você quer ir?"
Alice:"Eu não sei, estou perdida."
Gato: "Para quem não sabe para onde vai, qualquer
caminho serve."
Para que Alice não continue perdida.
Se as respostas estão
todas erradas é preciso examinar o seu nascedouro e esse nascedouro nada mais é
do que a perguntas que estão sendo formuladas. Para quem não sabe perguntar qualquer resposta
serve. Se Alice não sabe onde vai, vai continuar mesmo perdida.
Estamos perdidos todos nós.
Um racha social impera.
A ofensa entre classes está institucionalizada ( e isso interessa a
muitos, principalmente para aquele que cunhou a expressão “elite branca”, não que ela não exista...). A nossa grande vergonha nacional é a escravidão
que durou mais de três séculos, e continua até hoje através de meandros e de
perguntas mal formuladas.
A elite branca e o jeitinho brasileiro são irmãs siamesas. Trazemos de um fatídico Império essas duas
gracinhas. Numa de suas primeiras cartas ao Rei, Caminha já pedia que o império intercedesse a
favor de um cunhado que precisava de um “jeitinho”
da recém fundada Pátria Amada.
Muito pensei
que, essa nossa condição fosse alguma herança atávica maldita mas, nem isso é. A
transmissão atávica costuma pular algumas gerações e aqui em terras
nossas nunca houve sequer uma geração em que essa maldição não estivesse
acionada. Talvez seja a isso que a nossa
Presidente se refira, repetindo sem parar
que a corrupção não é criação recente, em outras palavras, criação do PT. Não foi criação do PT mas...
foi por ele aprimorada, refinada e avantajada. Não sou quem digo, mas a mídia
mundial reputa ao Petrolão o maior escândalo de corrupção de que se tem notícia. E olha que as investigações estão só começando e
dinheiro de corrupção é inapurável no seu valor real, visto que a contabilidade
“oficial” será sempre “oficiosa”
.
A pergunta que interessa agora é: “se” e “como” acontecerá a reforma política? É preciso que elite branca, periferia,
paneleiras e principalmente brasileiros e brasileiras, se inteirem da
importância dessa reforma e como somente ela irá nós beneficiar se soubermos o que estamos de
fato pedindo. A sociedade somente estará
coesa para essas perguntas e reivindicações se estiver bem informada do que isso
significa. Por que está empacada desde
1990? O que pode recolocar o legislativo nos trilhos? Voto obrigatório ou
facultativo? PEC 344 e 352, o que é? O
que significa o voto distrital “puro”? Como se dá efetivamente a legitimidade
de posse dos nossos constituintes hoje, o que precisa ser mudado? Financiamento
de campanha ( preste atenção no que o
PMDB sobre essa questão!).
A sociedade precisa discutir e pressionar firmemente contra
o fim do financiamento de campanha ( os
partidos que arquem com suas campanhas e tratem de nos representar, já pagamos
muito para alimentar essa máquina legislativa de quase 600 parlamentares). Lutar
para que mecanismos paralelos (novos “jeitinhos”) não sejam instaurados com esse
fim. Não deixar que essa reforma seja somente para inglês ver ou delegá-la exclusivamente aos próprios
constituintes que nunca decidirão nada que limite a extravagância de seus
poderes. Chega da criação de novos
partidos, já temos muitos e pagamos por todos eles, através do Fundo
Partidário. Se a sociedade não estiver à postos fazendo as perguntas pertinentes
e com clareza, continuará achando que quem manda no Brasil é o Presidente e se dará fenômenos (
previsíveis) como esses que estão aí. A
metade da população escolheu Dilma e quatro meses depois a rejeita.
Minha gente, ir para as ruas é ato louvável e necessário. Mas, não adianta ir pedindo Impeachment
( o PMDB já sinalizou que não é viável, portanto,
forget it). À luz
de um exame legal o impeachment não passa e isso não é só uma vontade popular,
como provavelmente as pessoas que estão gritando pelo impeachment imaginam. Gritar pelo que não é possível é
mero desgaste, fruto de informação equivocada.
Não adianta ir para as ruas e dizer que está ali contra a
corrupção. Isso é muito genérico. Combater a corrupção demanda reforma política e para chegar até essa
reforma é preciso informar-se, estudar, inteirar-se de como as coisas funcionam
para exigir mudanças necessárias de base.
A reforma política tem que atender aos brasileiros e não a classes sociais (
favorecidas ou desfavorecidas). Quem nos
representa tem que estar lá para nos representar, não para conchavar, mudar de
partido a torto e a direito, criar uma moral própria e agir a partir de sua
própria criação.
Onde estão os universitários desse País? Nossas grandes
esperanças que poderiam estar participando desses debates e com a força de seus sonhos mobilizando a população? E o movimento “Passe Livre” tão meteoricamente
silenciado? Estão divididos e diluídos (ilusoriamente) entre o que é PT e o que
PSDB.
Reforma PolíticaJÁ!
Temos a grande chance de viver um momento histórico que
somente logrará êxito se soubermos fazer as perguntas certas ou continuaremos todos Alices.
Eu acredito na mobilização popular esclarecida! Não acredito
na mobilização festiva, tendenciosa ou
desinformada ( por que aí ou vira escola de samba ou torcida de futebol). Chega
disso, né?

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