segunda-feira, 28 de julho de 2014

Mexilhões com fritas

Se existe coisa boa no mundo essa coisa tem o nome de férias. Férias de filho então... bem, isso é um plus adqurido junto à maternidade.

Inebriada pela condição que esse duplo benefício me traz,  marquei de sair com uma amiga. Sendo  sábado,  a cidade tem outro rítmo, os lugares estavam abarrotados, inútil arriscar-se numa batalha inglória com fila na porta. Depois de uma circulada acabamos chegando ao Jardins, estacionamos o carro e fomos caminhando e ainda botando a conversa em dia a procura de algum lugar que nos agradasse e caminhando foi dando fome. O melhor seria então jantar logo de uma vez. Encontramos ali na Rua da Consolação um bistrô diminuto, com decoração moderninha, o atendente foi simpático descolou uma mesinha no corredor do que teria sido um dia um quintal,  decidimos por Margueritas enquanto esperávamos por uma mesa definitiva. Conversa de mulheres entre Margueritas é uma excelente opção. Conjecturávamos sobre nós mesmas, como andava deliciosa essa fase adentrando a maturidade, com os filhos já meio que encaminhados, se não escolhemos ser profissionais tão brilhantes ou dedicadíssimas ao menos pudemos criá-los por perto. Já tendo vivido casamento e o fim dele não tínhamos angústias de estarmos juntas ou separadas. As coisas se superam e nos superam, transformam-se e nos transformam. E ela começa a me contar de uma amiga solteira, quase chegando aos quarenta, profissional master-mega-plus, sem filhos até então para cuidar da carreira, tendo morado fora em vários países atendendo demandas da empresa, estava de-ses-pe-ra-da. Queria ter um filho!
Sem se controlar atirava-se na jugular do sujeito que acabava de conhecer já manifestando essa sua premente demanda. Estava fazendo terapia mas, enquanto não vinha uma solução por meio dessa técnica curativa,  tinha entrado (por via das dúvidas),    num site de relacionamento. Hoje iria sair com um carinha que tinha conhecido através do site.

Encontrei no menu o que estava com vontade de comer mexilhões com batata frita ou 'mules et frites' como está na moda. Nunca entendi essa combinação mas não sou daquelas chatas que ficam pedindo alterações nos cardápios tão elaboradamente conduzidos pelos chefs, aceito de bom grado tudo o que me colocam à frente como comida.  O lugar era diminuto, como já disse,  com mesas praticamente coladas umas nas outras o que tornava impossível não ouvir conversa alheia.

Do nosso lado sentaram três homens maduros, um deles de uma formatação incrível e que falava também umas frases incríveis do tipo existe uma linha tênue entre isso e aquilo, a minha amiga entre uma garfada e outra assentia com a cabeça e me dizia estar de pleno acordo. Concordava com linhas tênues, retas, circulos,  calculava de cabeça o melhor angulo da hipotenusa. Seguimos  degustando nossos pratos, já com a Marguerita nos dando adeus. Já comi mexilhões melhores e a vida é assim: quando se tem uma referência muito boa sobre um aroma, sabor e amor ficamos com aquilo na cabeça. Me lembrei que deveríamos ter ido ao "Le Jazz "onde servem os mexilhões que gosto.

Um desses homens começa um relato lamuriento sobre o fim recente de um relacionamento. Os dois amigos o ouvem com presteza. A namorada o deixou. Tudo porque ele queria ter um filho... !!! Minha amiga levanta os olhos do prato, olha para mim e diz que vai pedir o cartão dele para levar para a amiga. Eu dou graças que ficamos em apenas uma Marguerita...

Terminamos, dispensamos profiteroles porque a vida não está fácil para ninguém. Dividimos a conta e fiquei pensando em Vinícius, nessa arte mal encontrada que é a vida. E torcendo para a que ao menos a tecnologia faça a felicidade da amiga da minha amiga.

P.s. Soube depois que o moço não apareceu ao encontro.





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