Meu caro amigo em perdoe por favor se não escrevo "carx amigx". Sou antiga e não faço adesões as modernidades linguísticas nem para se simpática.
Sei que àqueles para quem escrevo escrevo não me lerão. Mesmo assim, se houvesse uma única chance de salvar a humanidade da ignorância, me lançaria ao mar nesse mesmo instante, mesmo não sabendo nadar.
Por algum tempo acreditei que a escolaridade pudesse nos salvar. Mas, foi chegar na universidade para perceber que ali conviviam em período de término da ditadura, cidadãos completamente alienados e reacionários. Portanto, dado ao meu engano primário em acreditar que a escolaridade pudesse fazer pessoas melhores, sucumbo hoje, nesse momento político/histórico, ao ver esses mesmos colegas defendendo as atrocidades de um governo macabro. Vejo também outros injuriando-se por estarmos nesse momento pandêmico discutindo política. Esses últimos são os alienados dos anos 80 e quero crer que essa ignorância mereça entendimento mas não perdão. É fundamental que entendamos a vida como um ato político. Tudo o que nos cerca refere-se a um ato de política. A pandemia que nos assola vem sendo tratada de forma política, com implicações de ações ou omissões sanitárias e de implemento ou falta de políticas públicas. É preciso entender que uma canetada afeta milhares que pessoas ao mesmo tempo e que não falar de política nesse momento é permitir que milhares venham a engrossar as fileiras da morte dada nossa omissão alinhavada ao poder de quem detém a caneta na mão.
Ausentar-se de reflexões políticas nesse momento é alimentar o descaso com as vidas humanas que se perdem vertiginosamente todos os dias.
Os reacionários de meu tempo de universidade, vejo-os hoje aqui com a mesma postura. Continuam fiéis à sua militância de direita extrema, fazem ironias contra o isolamento social de forma ostensiva ou velada, estando prontos a proclamarem um Brasil que é só deles, esquecendo-se que nós, outros, também somos brasileiros e temos tanto direito de amar nossa pátria quanto eles. Vejo também jovens recém saídos dos cueiros sem conhecimento da vida e da história levantando bandeiras dessa mesma ignorância.
Se a escolaridade não nos salva da ignorância o que poderia então nos salvar? Tentando refletir sobre essa pergunta encontro uma resposta muito simples. Não adianta amar o seu pet, não adianta amar suas viagens, nem suas plantas ou livros. Não adianta amar a posição que você conquistou no mundo, seus status quo ou a sua namorada mais recente. É preciso amar em primeiríssimo lugar o ser humano. Interessar-se pelo humano. A ignorância somada à falta de amor humano liquidará a nossa existência na terra e aí não vai ter a menor importância de que lado você esteve. É preciso fazer essa escolha hoje, amanhã pode não resistir resistindo.
O que pode o desamor diante de tão frágil condição humana?
Sem amor ao humano sucumbiremos ao vírus.
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