Eu estava sozinha, porque assim quis Deus, e desacompanhada porque o universo me pregou uma tremenda peça e não tinha como partilhar daquela cidade que para mim não é cidade e sim uma poesia.
Com 516 mts de extensão e tendo levado quase duzentos anos para ser construída, sobre o Rio Moldava está a Ponte Carlos. Li em algum romance que se um casal vier, cada um de uma extremidade dessa ponte, chegar ao centro e ali declarar o seu amor, esse amor se tornará eterno.
Escolhi uma das ruazinhas medievais que saem da ponte e decidi almoçar na calçada, na sombra de um ombrelone. Observava as pessoas, algumas tão turistas como eu. Na mesa ao lado surgiu um casal, trazendo dois filhos já adultos, supus que eram gêmeos, os pais os acomodaram nas cadeiras, percebi que os cercavam de cuidados muito especiais para que estivessem confortáveis. Parecia haver um acordo tácito entre os pais para que cada um cuidasse de um dos filhos, que sozinhos não eram capazes de tomar o suco, segurar talheres, se alimentarem. O casal estava feliz, conversavam calorosamente, brindaram e ficaram de mãos dadas depois do brinde. Seus olhares se derramavam em carinho entre si e para os filhos. Parecia um almoço de comemoração ou simplesmente de dias que eram comemorados todos os dias. Essa cena me perpassou a mente algumas vezes durantes esses anos e nem sei por que hoje me lembrei dela. Talvez por que tenha registrado essa ideia romântica da cidade e acabei vendo de verdade um casal que se amava.
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