quinta-feira, 9 de abril de 2015

No mundo das hipóteses e no mundo das coisas que não queremos falar. Dilma vem à publico manifestar-se contra a redução da maioridade penal (por orientação do partido). Temer diz que é para manter a neutralidade, pois, mais da metade da população apoia a medida ( muito provavelmente pelo o que a mídia tenta e consegue incutir na cabeça do cidadão, que necessitaria se informar de outras fontes para abalizar sua opinião, por exemplo: saber que os países que a instituíram, não obtiveram redução da violência). Eu não faço parte dessa metade e a mídia não faz a minha cabeça. Quem conhece a minha estória familiar sabe que teria todos os motivos para desejar a instituição da pena de morte. Escolhi outro caminho, um projeto que tenta resgatar essas pessoas, mesmo que seja uma única alma. Esse projeto me levou para trás das grades.
O projeto também acontece numa escola estadual. E sabe o que constato (com muita tristeza)? Que as duas instituições são muito parecidas. E sabe por que? Porque relegamos os nossos jovens, e estamos relegando mais uma vez com essa medida impensada.
O sistema punitivo ( e não ressocializante) do Brasil, vai te devolver esses jovens egressos como bandidos graduados. Quando saírem de lá, com a mácula de terem passado por uma instituição, você não vai empregá-los, nem eu! Mas o crime vai estar de braços abertos esperando esse novo "colaborador".
Quando escola e prisão se tornam parecidas é para acordarmos de que alguma coisa muito grave está acontecendo.
Prisão não será o remédio, somente um placebo para a falta de escolaridade. É interesse do Estado manter o baixo ( ou nenhum) nível de educação pública para continuar "desinformando" pessoas, que sem condições de decidirem sobre a própria sorte serão mandadas para o seu devido lugar: a prisão.
Numa hipótese absurda: se nosso sistema jurídico permitisse que a pena passasse da pessoa do réu ( no caso, os filhos brancos, estudados dos nossos parlamentares) corressem o risco de assumirem as dívidas de seus progenitores pelos crimes praticados contra a nossa nação, algum desses digníssimos parlamentares teriam votado a favor dessa redução?
Se os nossos filhos brancos e estudados corressem o risco dessa redução, de que lado estaríamos?
54% da população carcerária é negra ou parda
55% tem entre 18 e 20 anos ( veja que já temos muitos jovens...e que o Estado não oferece uma recuperação ...)
5.6% são analfabetos
13% apenas alfabetizados
46% apenas ensino fundamental
Temos a terceira maior população carcerária do mundo ( batendo quase 800.000 detentos, queremos mais?)
Nosso Estado não dá conta do sistema prisional que criou e quer te vender que essa redução vai te manter seguro pelas ruas, cuidado! Esse é um tiro certo para sair pela culatra.
Sem educação não haverá pais algum. Estamos enfraquecidos pelas instituições que ajudamos a soerguer (falo aqui com meu pares: a elite branca) e, a redução da maioridade vem corroborar nesse sentido. Melhor seria o Estado ter a coragem de promover mudanças na segurança pública e pensar na educação com fonte de formar pessoas e, que pudéssemos avaliar com responsabilidade, o que estamos desejando para um futuro...incerto.
Poderia falar aqui de culpa jurídica e culpa moral. E como a culpa jurídica (sem medidas de reintegração) exclui a culpa moral, devolvendo-nos o pior do substrato humano. Mas, fica para a próxima.

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