terça-feira, 2 de setembro de 2014

Caminhos sem volta: bicicletas e livros

Segunda feira passando pelo centro de São Paulo descubro que existe uma ciclovia funcionando na hora do rush do Viaduto do Chá até a Praça da Sé. Um trecho ainda pequeno, mas louvável. Finalmente alguém deve estar entendendo que bicicleta não é só lazer dominical mas pode se prestar à locomoção segura durante a semana para os que trabalham e estão dispostos a encontrar alternativas nesse caos de imobilidade urbana. Tenho visto também homens de terno pedalando pela Faria Lima, mulheres vestidas em trajes de trabalho, enfim pessoas que estão tentando escolher uma outra forma de  relacionamento com cidade  não obstante a insegurança que esse meio de transporte apresente, dividindo espaço com pedestres nas calçadas e nas avenidas com carros, motos,  ônibus onde as ciclovias ainda  não existem. Tudo uma questão de tempo. Não há mais com sustentar essa fúria de produção automotiva, cidades não preparadas para receber essa massa ensandecida de poluição, barulho, custos altos, impostos exorbitantes, onde nem andamos e nem temos onde parar.

Passar de quatro para duas rodas será certamente uma escolha cada vez melhor dos que estão chegando por aí.  Não vejo mais tantos  adolescentes com aquele nosso sonho antigo de fazer dezoito anos, tirar carteira de motorista e com muita sorte ganhar um carro, simbolo na nossa maioridade e liberdade.

Com o número de ciclistas crescendo em caráter irreversível , novas ciclovias surgirão, ganharemos todos em qualidade do ar, tomaremos menos remédios. Ir e voltar do trabalho poderá representar um lazer em contrapartida ao stress que essas idas e vindas representam. O que se perde de tempo no trânsito estará sendo convertido em exercícios e saúde. Sem contar com o vento soprando no rosto e é claro a sensação de liberdade que pedalar proporciona. Minhas amigas modistas fiquem atentas para esse novo nicho de mercado: mulheres ciclistas precisam de roupas para chegarem prontas para reuniões de trabalho!!

Para estacionar/consertar a magrela , tomar um banho e até fazer chapinha entre reuniões. shttp://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/08/08/estacionamento-de-bike-em-sp-oferece-banho-e-chapinha-por-r-17.htm

Escritório corporativo, estacionamento, bicicletaria.  https://www.facebook.com/CYCLE.DRESSMEUP

Bike café na Vila Madalena https://www.facebook.com/LasMagrelas


Percebo esse movimento também em relação aos livros. Vejo cada vez mais pessoas lendo nos ônibus, metrô, algumas pesquisas também apontam esse crescimento mesmo que pífio se comparado com outros lugares do mundo. Brasileiras leem mais que brasileiros. A média per capita ano não passa de dois livros lidos. O livro mais lido continua sendo a bíblia. Porém,  um leitor conquistado jamais será um ex leitor,  essa é a esperança em que me fio. O mundo tecnológico trouxe a escrita como meio de comunicação, você pode até escrever errado ( não deveria) ou ficar reiteradamente se explicando nas mensagens entres amigos mas,  jamais ganhará pontos ou se fará entender se não puder escrever um email  com clareza num mundo corporativo. Ler pode suprir deficiências do aprendizado capenga que temos presenciado nos últimos vinte anos. Pode levar a fazer as melhores perguntas para encontrar as respostas certas. Pode enfim te fazer um cidadão mais lúcido, um ser humano mais humano, enxergando tantas outras novas possibilidades que talvez você sinta até vontade de começar a pedalar.

Recomendo esse artigo de Neil Gaiman, uma interessante articulação sobre a necessidade de ler, existir bibliotecas no mundo,  a relação entre sonhar e criar,  mostrando um  norte para quem esteja tentando reciclar vias. Longo, mas merece ser lido até o final.
http://indexadora.wordpress.com/2013/10/17/neil-gaiman-por-que-nosso-futuro-depende-de-bibliotecas-de-leitura-e-de-sonhar-acordado/









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