domingo, 23 de novembro de 2014

Dry Martini

Eu, meu Dry Martini, meu Dry Martini e eu. O primeiro, que levou vinte minutos para chegar foi inteiramente sorvido entre a mesa, os jornais, a cadeira, o chão, a manga da minha camisa, minha calça, a bolsa. A garçonete gentil e trôpega desajeitou-se provocando o banho.

Volúvel que é, se evaporaria sem deixar aromas entre os meus pensamentos e meu índigo blue.

O segundo chegou em cinco minutos tentando desculpar-se pelo derramamento do primeiro. Sorvi-o como se sorvem as experiências lentas no tempo, duradouras como as coisa que veem para ficar.

Passado da metade é chegada a hora de devorar lentamente a azeitona.


Música: Dry Martini

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