terça-feira, 25 de novembro de 2014

Cenas de aeroporto

Uma mulher que chora diante da tela, lá fora nem frio nem quente. Um homem na mesa à frente vestindo jaqueta Columbia, saboreia um café com espuma lentamente adoçado,  a observa e nunca saberá de que são essas lágrimas.

A garçonete explicando pra o gringo o que "és chico" e grande. Acenando com as mãos, movimento para cima és chico, para os lados és grande.  Ele entendeu rapidinho, eu não entendi nada.

A mãe alimenta o bebê com papinha,  o pai dorme de boca aberta na frente. Algumas pessoas te tratam bem mesmo sabendo que nunca mais te encontrarão.  Outras te ignoram completamente, como fazem diante da vida.

Garçons contam gorjetas e disso parece que se vivem. O pai dorminhoco mudou de mesa, o bebê ainda nem terminou a papinha. Ainda nem cresceu, ainda nem aprendeu falar primeiro papai do que mamãe.

A cordilheira lá fora está só nuances. Os japoneses comem com cara de nuvens.

Os abajures se acendem tornando a arquitetura padrão aeroporto internacional menos repulsiva. No telão um jogo qualquer de futebol pouco me importo pelo que correm e brigam.

A menina de  blusa rosa vem arrastando a mochila e mascando chicletes, também rosa. A família à frente nem come nem bem que tanto tentam acertar o foco do foto.

Casais nem se falam mais, olham-se a esmo.

Todo mundo aqui quer ir para algum lugar, chegar em algum lugar ou fugir de algum lugar.


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