Letras que formam palavras, viram frases, são parágrafos. Páginas que
viram estórias. Estórias lidas e repetidas, misturadas às nossas, contam uma
nova vida.
Cheiro de livraria, livro novo. Ler é curativo. Biblioteca
tem remédio pra tudo: dor de cotovelo, pé quebrado, saudade, mal olhado, amor
contrariado, unha encravada, sarampo, febre, coqueluche e vazio da alma.
Saboreie, sorva, marine, decante. Encante-se. Pular de estória em estória é como pular de amor em amor. Bom é viver um de cada vez.
Ler demais também intoxica. Ministre doses homeopáticas. Suspire entre os
capítulos, tome um café, saia para passear.
Alguém escreveu, que o homem que não tem música em si mesmo,
nem se emociona com a trança doce dos sons, é propenso à intriga, à fraude, à
traição.
Vinícius, prefere
dizer que não se deve nunca confiar em um sujeito que não seja um bom bebedor
de whisky.
Arrisco pensar que podemos começar a confiar em alguém que
goste de livros. É preciso, no entanto, estar alerta ao poder de sedução das
palavras bem articuladas, da estética bem construída, do vazio do próprio e da
reprodução do alheio.
Olhe as pessoas à partir das estórias que trazem. Conheça o que leram e o que grifaram.
Encontre nos livros a beleza de continuar entendendo sua
própria trajetória. Acredite: a estória real, será sempre a sua. Pode inventar
o gênero que quiser. Seja brevemente dramática, sutilmente romântica e
longamente poética.
Vou terminando, diz pra Catarina que estou bem e qualquer dia
apareço para tomar um whisky e ouvir música.

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