O Museu da Hospedaria dos Imigrantes está desativado. Achei uma pena isso. Mesmo quando não existia internet fui até lá a procura de registros dos meus antepassados. Estavam lá. Imigrantes pobres que vieram para trabalhar nas lavouras de café do interior de São Paulo. Nutri por aquele lugar uma certa gratidão, por funcionar como um primeiro abrigo àqueles que se aventuravam além mar, sonhando com uma vida nova. Mesmo que dura e incerta.
Hoje voltei a este local para conhecer o projeto Arsenal. Acolhem trabalhadores de rua para passar a noite. São mil e duzentos leitos, destinados ao público masculino. No primeira noite de acolhida, recebem uma muda de roupas, sabonete e shampoo. Após isso nada mais é doado.
Latinhas de alumínio viram moeda interna local. Cada latinha vale uma moeda e cada coisa tem o seu preço. Para lavar um kilo de roupa na lavandeira, por exemplo, custa 30 latinhas. Para comprar roupas no bazar, também precisa ter latinhas. Tem, também, padaria e biblioteca.
Tudo alí é mega. Por isso os visitantes são convidados a botar a mão na massa. Dobrar 500 toalhas de banho ou 1.000 lençois na lavanderia. Enrolar 250 facas com 250 garfos em gardanapos. Separar 10 sacos de cinquenta litros com roupas doadas. E onde mais for necessária sua ajuda.
As garotas que nos acompanhavam tiveram a idéia de imprimir 1.200 mensagens e colocaram embaixo de cada um dos 1.200 travesseiros. Tenho certeza de que muitos não saberão ler o que está escrito. E ficarão como eu, pensando: o que estaria escrito naquela tirinha de papel? Não importa.
O que importa é a delicadeza que algumas almas conseguem criar. A coragem de outras em realizar. E a de muitas, que sonham com uma noite dormida em um lugar abrigado.

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