Faz uma mesura oferecendo-se para abrir a garrafa, um tanto desajeitado no seu intento em parecer cavalheiro. Suspende o saca-rolhas no ar, interrogando com um sorriso suave: "un tire bouchon?" Rimos juntos de uma nossa estória. Serve somente à mim, ainda não bebe na minha presença.
Começamos a falar de tudo e nada. Da condição humana, de política e de como estamos sempre em lados opostos e ao mesmo tempo parecidos.
Apanha um livro na estante, me diz que estão caindo folhas. Como assim...o livro está se desfazendo? Não. São as flores que tenho o hábito de ir guardando entre as páginas. Provavelmente uma das tantas, que ele mesmo costumava encontrar nas calçadas e me trazia de presente, quando ainda nem sabia falar direito.
O poeta é pernambucano. Peço para que leia uns versos. Combinamos um banho de mar como o de Clarice Lispector, em Olinda.
http://claricelispector.blogspot.com.br/2008/01/banhos-de-mar.ht
Pergunto se sente-se parecido comigo? Pensa um pouco e resoluto, diz que se parece com o pai. Sorvo o vinho, com nossas mútuas semelhanças, que só eu consigo perceber.
Nenhum comentário:
Postar um comentário