Aprendi tantas coisas com você.
A primeira delas, foi como não enlouquecer com aquele seu primeiro livro, comprado num sebo. Tinha um Papai Noel na capa e um botão do lado, que cantava 1.010.000 vezes por dia iaiaouuu. Aprendi a superar meu desapontamento quanto a primeira palavra que disse foi ... papai. A assistir Teletubbies com seus intermináveis tchaus. Minha vida se complicou bastante quando vieram os Pokemons. Eu não conseguia decorar os nomes e nem para que serviam, precisava aguentar a sua braveza quando confundia um com outro. Precisei aprender a jogar baralho, pebolim, sinuca, virar goleira, fazer bolo de chocolate com confete colorido, não insistir para você usar fantasia ( não havia Cristo que te colocasse dentro de uma...); contar estórias sem errar o final; entender as palavras novas que você inventava, te distrair para cortar seu cabelo, te enganar para arrancar um dente mole.
Aprendi a reconhecer o seu mal humor quando está com fome, e saber que depois da quarta garfada você volta a falar. Aprendi a não te perguntar as coisas que você nunca vai me responder; que seu celular nunca funciona para falar comigo ( embora você passe o dia todo de olho nele...); que seu quarto vai continuar sendo uma bagunça ( irremediável!), que minhas ameaças não funcionam quando se trata de pedir ordem. Aprendi, que do seu jeito e no seu ritmo você sempre dá conta do recado, que já superou (e muito! ) meu alto grau de exigências imediatas; que você demora a falar mas quando diz, é claro e positivo, ao ponto de me botar em silêncio muitas e muitas vezes. Que nossas brigas são breves e terminam em gargalhada, porque você tem o dom de promover todas as reconciliações...E também, está me inteirando de um vocabulário completamente novo, para que nossas conversas não precisem ser legendadas.
Que tenho me emocionado, desde o primeiro dia em que abriu os olhos pela primeira vez, e que tem lançado ao mundo um olhar cada vez mais profundo, procurando reconhecer e ajustar diferenças e, espero que não desista nunca de tentar apará-las.
Que você tem tido uma paciência enorme para me ensinar a ser mãe, e que sem isso eu nunca teria me tornado menos infantil nem menos egoísta.
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