Perdemos o jeito, o ponto e a hora do encontro. Criamos subterfúgios, inventamos metáforas, aproximamos o corpo do que a nossa alma não pode mais dizer. Perdemos nossa condição primeva de estarmos juntos porque sentimos medo. Um mundo infinitamente sexualizado, de vantagens travestidas em fantasias. Nunca se mentiu tanto quanto a quantidade, qualidade ou sentido de estarmos juntos. Partimos para uma jornada incerta onde o mais importante ficou para trás: a nossa possibilidade de entrega.
Assim, desisto de minha tertúlia com Manuel e me rendo.
A ARTE DE AMAR
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação
Não noutra alma.
Só em Deus ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Manuel Bandeira
Acontecimentos do dia a dia, memórias, sínteses pessoais.Uma maneira de ver o mundo e contar como são esses olhos. Psicanalista, fundadora projeto social leituracura
quinta-feira, 14 de maio de 2015
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Aprendi com você
Aprendi tantas coisas com você.
A primeira delas, foi como não enlouquecer com aquele seu primeiro livro, comprado num sebo. Tinha um Papai Noel na capa e um botão do lado, que cantava 1.010.000 vezes por dia iaiaouuu. Aprendi a superar meu desapontamento quanto a primeira palavra que disse foi ... papai. A assistir Teletubbies com seus intermináveis tchaus. Minha vida se complicou bastante quando vieram os Pokemons. Eu não conseguia decorar os nomes e nem para que serviam, precisava aguentar a sua braveza quando confundia um com outro. Precisei aprender a jogar baralho, pebolim, sinuca, virar goleira, fazer bolo de chocolate com confete colorido, não insistir para você usar fantasia ( não havia Cristo que te colocasse dentro de uma...); contar estórias sem errar o final; entender as palavras novas que você inventava, te distrair para cortar seu cabelo, te enganar para arrancar um dente mole.
Aprendi a reconhecer o seu mal humor quando está com fome, e saber que depois da quarta garfada você volta a falar. Aprendi a não te perguntar as coisas que você nunca vai me responder; que seu celular nunca funciona para falar comigo ( embora você passe o dia todo de olho nele...); que seu quarto vai continuar sendo uma bagunça ( irremediável!), que minhas ameaças não funcionam quando se trata de pedir ordem. Aprendi, que do seu jeito e no seu ritmo você sempre dá conta do recado, que já superou (e muito! ) meu alto grau de exigências imediatas; que você demora a falar mas quando diz, é claro e positivo, ao ponto de me botar em silêncio muitas e muitas vezes. Que nossas brigas são breves e terminam em gargalhada, porque você tem o dom de promover todas as reconciliações...E também, está me inteirando de um vocabulário completamente novo, para que nossas conversas não precisem ser legendadas.
Que tenho me emocionado, desde o primeiro dia em que abriu os olhos pela primeira vez, e que tem lançado ao mundo um olhar cada vez mais profundo, procurando reconhecer e ajustar diferenças e, espero que não desista nunca de tentar apará-las.
Que você tem tido uma paciência enorme para me ensinar a ser mãe, e que sem isso eu nunca teria me tornado menos infantil nem menos egoísta.
A primeira delas, foi como não enlouquecer com aquele seu primeiro livro, comprado num sebo. Tinha um Papai Noel na capa e um botão do lado, que cantava 1.010.000 vezes por dia iaiaouuu. Aprendi a superar meu desapontamento quanto a primeira palavra que disse foi ... papai. A assistir Teletubbies com seus intermináveis tchaus. Minha vida se complicou bastante quando vieram os Pokemons. Eu não conseguia decorar os nomes e nem para que serviam, precisava aguentar a sua braveza quando confundia um com outro. Precisei aprender a jogar baralho, pebolim, sinuca, virar goleira, fazer bolo de chocolate com confete colorido, não insistir para você usar fantasia ( não havia Cristo que te colocasse dentro de uma...); contar estórias sem errar o final; entender as palavras novas que você inventava, te distrair para cortar seu cabelo, te enganar para arrancar um dente mole.
Aprendi a reconhecer o seu mal humor quando está com fome, e saber que depois da quarta garfada você volta a falar. Aprendi a não te perguntar as coisas que você nunca vai me responder; que seu celular nunca funciona para falar comigo ( embora você passe o dia todo de olho nele...); que seu quarto vai continuar sendo uma bagunça ( irremediável!), que minhas ameaças não funcionam quando se trata de pedir ordem. Aprendi, que do seu jeito e no seu ritmo você sempre dá conta do recado, que já superou (e muito! ) meu alto grau de exigências imediatas; que você demora a falar mas quando diz, é claro e positivo, ao ponto de me botar em silêncio muitas e muitas vezes. Que nossas brigas são breves e terminam em gargalhada, porque você tem o dom de promover todas as reconciliações...E também, está me inteirando de um vocabulário completamente novo, para que nossas conversas não precisem ser legendadas.
Que tenho me emocionado, desde o primeiro dia em que abriu os olhos pela primeira vez, e que tem lançado ao mundo um olhar cada vez mais profundo, procurando reconhecer e ajustar diferenças e, espero que não desista nunca de tentar apará-las.
Que você tem tido uma paciência enorme para me ensinar a ser mãe, e que sem isso eu nunca teria me tornado menos infantil nem menos egoísta.
domingo, 3 de maio de 2015
Tire bouchon
Faz uma mesura oferecendo-se para abrir a garrafa, um tanto desajeitado no seu intento em parecer cavalheiro. Suspende o saca-rolhas no ar, interrogando com um sorriso suave: "un tire bouchon?" Rimos juntos de uma nossa estória. Serve somente à mim, ainda não bebe na minha presença.
Começamos a falar de tudo e nada. Da condição humana, de política e de como estamos sempre em lados opostos e ao mesmo tempo parecidos.
Apanha um livro na estante, me diz que estão caindo folhas. Como assim...o livro está se desfazendo? Não. São as flores que tenho o hábito de ir guardando entre as páginas. Provavelmente uma das tantas, que ele mesmo costumava encontrar nas calçadas e me trazia de presente, quando ainda nem sabia falar direito.
O poeta é pernambucano. Peço para que leia uns versos. Combinamos um banho de mar como o de Clarice Lispector, em Olinda.
http://claricelispector.blogspot.com.br/2008/01/banhos-de-mar.ht
Pergunto se sente-se parecido comigo? Pensa um pouco e resoluto, diz que se parece com o pai. Sorvo o vinho, com nossas mútuas semelhanças, que só eu consigo perceber.
Começamos a falar de tudo e nada. Da condição humana, de política e de como estamos sempre em lados opostos e ao mesmo tempo parecidos.
Apanha um livro na estante, me diz que estão caindo folhas. Como assim...o livro está se desfazendo? Não. São as flores que tenho o hábito de ir guardando entre as páginas. Provavelmente uma das tantas, que ele mesmo costumava encontrar nas calçadas e me trazia de presente, quando ainda nem sabia falar direito.
O poeta é pernambucano. Peço para que leia uns versos. Combinamos um banho de mar como o de Clarice Lispector, em Olinda.
http://claricelispector.blogspot.com.br/2008/01/banhos-de-mar.ht
Pergunto se sente-se parecido comigo? Pensa um pouco e resoluto, diz que se parece com o pai. Sorvo o vinho, com nossas mútuas semelhanças, que só eu consigo perceber.
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