terça-feira, 15 de julho de 2014

Coisas fora do lugar

Partindo sem sair do lugar, vai ficando, voltando sem ir.

Saí para procurar amor. As lojas estão fechadas. Nas gôndolas do supermercado o item está em falta. Nas farmácias tem remédio até para felicidade mas, vem sem amor. Tinha amor-genérico mas o preço não compensava.

Volto para casa para encontrar de novo o silêncio ressonando no sofá. Sussurros guardados atrás das portas. Migalhas soltas pelo ar. Afetos no parapeito da sacada. Risos congelados em cubinhos no freezer. Dúvidas escondidas por detrás dos quadros

Sintoma de coisas nunca achadas. Gritos calados em baixo do chuveiro. Torneiras gotejando sutilezas.

Solidão às claras na noite. Noite que não escurece. Fúria sorrindo com a chave do carro nas mãos.  Copos transbordando de solidez. Garrafas esvaziadas por quem tinha fome. Livros sorrindo abertos em baixo dos cobertores. Memórias escancaradas no bolso do roupão. Perfumes guardados nos álbuns de fotografias. Filmes antigos tocando na vitrola. Música deslizando pelo assoalho. Saídas que me levam de volta ao muro.

Minhas mãos que procuram apenas outra, encontram uma brisa que sopra dentro de uma caixa de fósforos. A mentira se deliciando com meus sais de banho. Não tinha nada no lugar. Só os sonhos estavam guardados nos meus perdidos.

A saudade consumia-se  (me) docemente.



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