terça-feira, 25 de março de 2014

serviços s/a

Adoro gente que faz. Dias desses conheci uma dessas. Largou emprego, dinheiro, canudo, para investir tudo  num negócio próprio.  Uma empresa de faxina, onde te fornece a mão de obra, material de limpeza e até pano de chão.  Melhor ainda, faz o interface entre você e a pessoa que executa o trabalho. Minhas colegas aqui presentes talvez também passem por esse mesmo momento difícil: conseguir alguém que faça esse tipo de trabalho. Do outro lado, talvez algumas argumentem que essa mentalidade de ter alguém que faça um vez por semana o trabalho da casa, possa ser um resquício de sinhá moça,  acrescido de um pitada pequena burguesa ( acho essa palavra tão por fora...). Diria no entanto em nossa defesa, obviamente, que é bastante fácil manter uma casa limpa além mares ou acima dos trópicos.  Sim por que lá ninguém faz faxina. Dá-se um tapa. Quando lá morei,  fui convidada a não tomar banho todos os dias, nunca  vi ralo no chão da cozinha ou fora do box do banheiro. Casa é hermeticamente fechada de inferno à verão - mediante  calefação e  ar condicionado. Temos uma relação atávica bem diferenciada em relação a água. Aprendemos com os índios a gostar de banho e numa evolução antropoló-
gica, a lavar a própria casa, já que abdicamos de nossas  tabas.

Bom voltando aos trópicos e ao tópico , achei que R$150,00 reais era bem razoável pelo serviço que a empresa da Janaína oferecia. Liguei então para agendar o meu dia
-  Olha só,  só vou ter uma data disponível para daqui uns quinze dias. Como assim!!!( Estava precisando para ontem...)
- Mas você não tem ideia de como está difícil conseguir gente para trabalhar!(Claro que tenho Janaína,  esse é justamente o motivo da minha ligação).
- Você precisa reforçar o seu quadro e que bom que está dando certo, né.? - (quer dizer... mais ou menos...uma empresa que oferece facilidade e praticidade e não consegue entregar, talvez não esteja funcionando tão bem assim.... Já fico eu martelando com os meus botões...).
- Mas tenho tentando e muito conseguir novas colaboradoras... para você ter uma ideia peguei uma lista com a Pastoral da minha região,  que tem uma legião de mulheres desempregadas ( e que a igreja tá sempre pedindo donativos para os empresários) te juro pelo Padre! Liguei para todas e você acredita que ninguém quer trabalhar?!!
-Sim, eu acredito.
- Mas olha só,  posso ir até o seu apartamento fazer uma avaliação e te oferecer os serviço para daqui uns quinze dias.
- Como assim? Não estou precisando de uma avaliação,  só de uma faxina...
- Mas olha só,  preciso ir antes fazer uma "avaliação do grau de sujabilidade do local".

"Grau de sujabilidade", essa é boa! Assim tivemos uma longa conversa telefônica e nada foi resolvido.

Minha operadora de saúde mandou dois boletos no mês passado com a distância de dez dias cada um. Por desatenção da minha parte, paguei os dois. Ou seja, em duplicidade. Para resolver um erro da operadora e  o meu descuido, passei nove minutos pendurada na linha esperando que um ser vivo e com cérebro me atendesse. Precisei ligar novamente para um outro numero para registrar minha reclamação,  só com esse pré requisito, poderia fazer um reclamação na Ouvidoria. Percorri todos esses caminhos porque os mecanismos do site te enganam a toda hora. Criei senhas de chuchu a chulé. Tentei também xuxu, com X  até esgotar todos os meus estoques de senhas. Uma hora podia usar só zero, na outra etapa tinha que suprimi-los, fiquei numa batalha inglória com a maquina, sem conseguir sequer fazer o login, perdi  o pouca de paciência que Deus me deu, queimei meu saldo de neurônios e nada resolvi. Pelo ouvidoria me chega uma daquelas cartas padrões,  que mandam para todo mundo que tem tempo para reclamar, somente com uns claros preenchidos,  por um funcionário que está contratado com a pré disposição de não resolver nada,  porque se resolver, vai ser mandado embora.

 Precisava, ainda,  resolver "in loco" um assunto no banco - pelo menos a gente ainda sabe onde as agências ficam, então dá pra ir pessoalmente. Fiz um depósito judicial com dez dias de antecedência da data aprazada para não dar problema. Era dia não útil, então cometi o desatino de  o fazer no caixa eletrônico. O envelope ficou parado na compensação, ninguém me avisou, mesmo sendo obrigatório colocar seu nome, CPF e telefone no dito cujo do envelope.  O ser humano que me atendeu estava tão desgostoso da vida que ao final declarou: se soubesse de algum outro emprego que o indicasse. Um homem, com meias lágrimas nos olhos me disse que não aguentava mais levantar todos os dias para fazer coisa errada: ter que vender produtos bons só para o Banco, seguro para quem não queria e o pior de tudo empréstimo para velhinhos aposentados...

 Tudo isso foi fruto de apenas um dia vivido. Felizmente chegava o fim de tarde e teria minha primeira sessão de osteopatia. Não vou cansar meus leitores, mas isso também tem sido uma saga entre médicos e previsões diagnósticas díspares.  Caiu o maior toro, ainda bem que resolvi ir a pé,  quem foi de carro estava preso no trânsito. Tinha acabado a energia como tem acontecido todas as vezes que cai água do céu.  Ainda bem que me atenderia mãos humanas,  pois se dependesse de máquinas seria mais um entrave no meu longo dia. Transcorria tudo muito bem, eu estava achando que iria morrer de tanto respirar. Uma tentativa de liberar todas o fluxo energético trafegando pela contramão de minhas artérias, tecidos, mucosas, linfas e paradigmas do meu corpo, diretamente, mas insuficientemente mal conectado à essa minha alma. Entendeu? A  técnica consiste em respirar enquanto alguns pontos do seu corpo são pressionados ou torcidos ou contorcidos. Eu já relaxando de olhos fechados, a sala na penumbra ( não tinha energia...elétrica...lembra?). De repente ouço um splash, o terapeuta calçando uma luva cirúrgica,  abri os olhos e numa fração de segundos imaginei um milhão de possibilidade menos a que ocorreu de fato. Ele pediu que eu abrisse a boca, achei que fosse só verificar a minha arcada dentária.  A dor do metatarso esquerdo pode ter uma nítida correlação com a enzima não processada por aquela palavra que você não disse, entendeu? Abri, meio desconfiada a boca, ele pimba!...Botou o dedo calçado com a luva cirúrgica,  começou a pressionar o meu palato, caí num riso incontrolável,  ele tirou o dedo rápido como medo de uma mordida e com a minha boca livre pude cair melhor ainda numa gargalhada solta. Bem, acho que pelo menos o tratamento começou a funcionar.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Ela me contou

Tem lugar que a gente chega, sem saber que estava indo e fica querendo um dia retornar. Ela tava lá.  Vestido meio puído, ralhando com a neta que tomava conta do bisneto, que a outra neta tinha largado para trás,  porque foi se perder na vida. Era meio fim de tarde, o sol já se pondo, um chão de terra batida, umas casinhas pobres  em cima de um gramado verde. Uma igrejinha, uma cruz meio torta. "Tu vai perder esse menino!!!" O menino tava com um caroço grande no pescoço,  um resfriado que não curava, o remédio que tinha para ele já tinha sido dado, mas tava precisando mesmo ir no doutor, lá na cidade.


Ela vinha empurrando uma carriola, contava com quase oitenta anos mas ainda tinha o que existe de melhor na vida: brilho nos olhos.  Tinha ido buscar mamão na horta, umas verduras e umas ervas. Tinha um jeito  reto de me olhar, daquele jeito que não dá para contar nenhuma mentira. Era conhecida por ali e todo mundo que precisava se curar de alguma coisa tomava as garrafadas da Dona Flora. Eu só não tomei, porque, para o mal que vinha sofrendo, não tinha remédio.

Deixou a carriola arriar no chão de terra batida, botou a mão na cintura, secou com as costas da mão a testa e começou a falar. Tinha perdido as contas, mas até quando contou tinha feito mais de 280 partos. Todo mundo que nascia por ali, tinha passado por suas mãos. O ofício aprendeu foi sozinha, quer dizer... foi mesmo por precisão. Era moça nova, nem nunca tinha conhecido homem. Naquele tempo ninguém ficava dando trela pra filho, não tinha coisa de conversar e explicar as coisas. O pai tinha já sumido de casa fazia uns dois anos. Tinha ficado a mãe,  com sete filhos que se criavam tudo por ali mesmo. Um dia, sem aviso sem nada, sem nem saber as coisas de homem e mulher, a mãe começou a passar muito mal. Ela já mocinha, criada de um jeito ridículo,  viu a mãe naquele estado, sem saber o que fazer e sem ter para  quem pedir socorro,  foi até a cozinha botar água pra ferver. Mãe tinha pedido. Quando voltou pra trás,  entrou no quarto e viu a mãe quase desfalecida com uma criança também quase morta, parecendo que tava se sufocando. Naquele exato instante teve todos os mistérios da vida revelados. As crianças nasciam assim. Tomada de espanto e surpresa, tendo que lidar com próprias  constatações, a única idéia que lhe veio  à mente, como um raio, é que precisava salvar mãe e filha. No caso irmã.  Pensou em Deus ergueu os braços, não para o céu,  mas na altura dos ombros, estendeu as duas mãos e assim pediu: "Deus, me usa!". Foi aprendendo o que Deus lhe falava nos ouvidos. Socorreu primeiro a criança, tirando da garganta uma pelota que estava entalada, depois começou massagear-lhe  o corpo todinho até que perdesse aquela cor escura e adquirisse um tom mais claro. Quando percebeu que já tinha  lhe voltado a vida, enrolou a pobre nuns trapos que achou por ali mesmo. Era vez de socorrer a própria mãe, que meio desfalecida pedia para ser deixada pra lá,  tinha vergonha de continuar vivendo. Deus não pensava assim.

Aquela cidade miúda de gente e de tamanho, lá nos cafundós dos Judas queria mesmo saber quem era o pai da criança.  Disso nunca se soube. Flora passou a ser chamada toda vez que alguém tinha precisão de nascer por aquelas bandas. E depois quando cresciam,  continuavam, vez por outra, precisando dos suas garrafadas.

Essa estória, ela me contou lá nos confins de Goiás,  a frase e o gesto de Dona Flora me vêem sempre à memória,  naquelas horas em que os acontecimentos pedem uma solução imediata e a gente não tem como decidir: "Deus,  me use!"

sábado, 15 de março de 2014

Livros porque sim

Num dia azul de sábado,  lá fui eu. Imaginei fazer uma visitinha rápida mas me perdi em encantos.

É preciso estar atenta para que ninguém passe por cima de você com um skate. O melhor é refugiar-se rapidamente no melhor abrigo que pode existir no mundo.  Entre pufes, estantes, mesas, centenas de computadores, uma maioria jovem se reúne jogando xadrez. Pequenos grupos tentam juntar pedaços de seus entendimentos com algo maior. Tem muita luz natural e gente roncando no sofá. É fato que a grande maioria, indiscutivelmente, está aqui para usar durante duas horas gratuitas o acesso à  internet. O atendente que me dá essa informação permanece um pouco desolado com o fato das pessoas se interessarem tão pouco pelos livros...

Estou onde funcionou o Pavilhão Nove do antigo Presidio do Carandiru,  hoje transformado na Biblioteca São Paulo. Do outro lado do imenso pátio, conservou-se dois pavilhões onde funciona uma escola pública de dança,  música e arte. Essa biblioteca ganhou prêmio de acessibilidade contando com equipamentos que possibilitam a leitura por tetraplégicos, através de sofisticados sensores. Portadores de baixa visão ou cegos contam com   a tecnologia capaz de verter qualquer livro ou revista em áudio, produzindo essa maravilha de colocarem estórias onde o mundo se encheu de escuros.

Trocar um presidio por um espaço público voltado à cultura, sem dúvida alguma pode representar um grande avanço,  mas isso não significa que outras penitenciárias deixaram de ser edificadas. O Brasil tem hoje mais de meio milhão de presos, desse contingente sete por cento  são mulheres ( em doze anos esse numero aumentou duzentos e cinquenta e seis por cento!). A população carceraria aumentou mais de trinta por cento em cinco anos, a grande maioria está a espera de um julgamento, os atrasos da justiça ajudam a engrossar cada vez mais esse caldo e os que contam, com bons advogados, aguardam  a prescrição de seus atos, esperando do lado de fora.  Temos também mais de vinte mil adolescentes em casas de custódias. Ocupamos a desonrosa posição de quarto lugar no ranking de países com mais presos. Esses números superam em quarenta e três por cento a capacidade de abrigo. Portanto temos aí um cadeirão cozinhando em fogo alto.

Outro dia,  lia um artigo como técnicos norte americanos conseguiram fazer um projeção sobre o número de celas necessárias para os próximos quinze anos. Lá a inciativa privada administra esse tipo de estabelecimento, um mercado com alto poder demanda, pois lá como cá existem muitos presos. Chegaram ao número que vinham procurando partindo do pressuposto de uma  porcentagem de crianças entre 10 e 11 anos que não conseguiam ler adequadamente.

É certo que todas as questões passem por vários outros  tipos de análises, confrontações de dados, observações comportamentais mormente quando falamos desse enorme e curioso ser que é o indivíduo.  Não proporia que as portas das prisões fossem abertas e colocassem todos os infratores diante de um livro, imaginado que essa pudesse ser a solução de um problema tão grande.  Não seria tão inconsequente assim. O que proponho é a leitura como hábito prazeroso,  maneira de descobrir outros mundos, somar pontos de vistas. Um diálogo de estórias construídas diante do que temos de melhor:  nossa própria existência.  Alimentar nossos caminhos com prosa e verso.

Saindo da biblioteca vou caminhando pelo Parque da Juventude, onde parte dos muros ainda permanecem erguidos como um componente da história,  um pavilhão de celas permanece inacabado, árvores voltaram a crescer em volta, jovens andam de skate, jogam bola, livres para escreverem as suas próprias estórias.

Encontro um casal, voltando do trabalho que desempenham com felicidade e risos, tentando levar um pouco de graça para lugares públicos degradados dessa nossa imensa cidade. E assim voltamos todos para casa, eles acreditando na alegria e eu confiando que onde existirem livros os muros poderão ser mais baixos.



sábado, 8 de março de 2014

Do necessário ao desnecessário

Pensando no que se comemora nessa data, imaginei em fazer um roteiro histórico remontando à 08 de março de 1857,  quando operárias foram queimadas vivas  em uma fábrica de tecidos, por reivindicarem menos horas de trabalho. Parece que queimar mulheres vivas já era prática bem usual pelo o que nos vem de Joana.

De direitos trabalhistas, passamos a reivindicar direitos políticos e liberdade com que o fazer com nosso próprio corpo.

Sem querer rechaçar, diminuir ou menosprezar as  conquistas que obtivemos, é bom lembrar que ainda ganhamos menos que os homens em qualquer tipo de ocupação (exceto as concursadas), mesmo estudando em média 7,3 anos a mais que eles; adquirimos direito ao voto mas detemos menos de treze por cento  das cadeiras do parlamento; conquistamos o direito a tomar contraceptivos para evitar  gravidez e o aborto clandestino continua matando uma brasileira a cada dois dias. As taxas de feminicídios permanecem estáveis no Brasil, mesmo depois da criação da  Lei Maria da Penha ( uma morte a cada hora e meia, segundo dados do IPEA).  Segundo a OMS uma mulher é espancada da cada 15 segundos no Brasil. Metade sofre calada. A covardia desses números me assusta.

Se os dados aterrorizam, o que ganhamos com o feminismo?

Conquistamos o direito de frequentar universidades, conduzir empresas, nações e também adquirimos o inefável direito de jornada tripla, o que penso eu, vem nos assolando em obrigações cumpridas  ininterruptamente, sem intervalo, sem refresco e em solidão.

Passamos a contribuir em casa com nossos salários, o tiro saiu pela culatra, muitas nos tornamos arrimos de família ( esse numero aumentou mais que quatro vezes, na última década) outras tantas adquiriram o direito de criarem seus filhos sem ajuda financeira de atuais ou ex parceiros. Criamos uma nova dinâmica de consumo, e começamos a trabalhar cada vez mais para mantermos os padrões de exigências que ajudamos a soerguer.

Lutando por direitos equânimes, começamos a pregar que as mulheres são iguais aos homens (até o terrível tailler foi estilizado como versão feminina do terno masculino). Aí deu-se o imbróglio. Quando demos  nossos primeiros passos rumo à uma escalada morro acima,  perdemos a oportunidade de aspirar o perfume das flores pelo caminho, contemplar a  vista pelos belvederes e principalmente, trazer nossos filhos e nossos companheiros conosco. Poucas tiveram a sabedoria de se dosarem. Nossos filhos criados por babás ou nas escolinhas. Nossos companheiros perdidos entre não saber mais como se comportarem, sem saber se seriam abandonados por não nos ouvirem e por não nos apoiarem; ou se seriam abandonados de qualquer forma por nos darem ouvidos demais e por nos apoiarem demais. Era tarde para trazer de volta a poesia.

Não que não almejasse por direitos paritários ou que seja cruel a ponto de não reconhecer que os  usufruo,  mas me reservo o direito de ponderar que muitas coisas foram executadas sem maestria, sem orquestração e por aí seguimos cada uma com a sua batuta empunhada em pulso firme,  sem saber que estávamos compondo uma sinfonia ruim de ser ouvida e chata de ser tocada.

Demoramos muito tempo para termos a dimensão de nossa obra. É preciso maturidade, executar coisas de maneira equivocada e distanciamento para apreciarmos o quadro que pintamos sobre a  imensa tela do nosso viver.

Se me fosse dado o direito de escolher novamente, decidiria por fazer mais tricô, mais bolachinhas caseiras, teria tido mais tempo para estar com meu filho, porque no fundo no fundo, chego a conclusão de que a maternidade me ensinou mais sobre a vida do que a universidade, os cursos, os desgastes por posições no trabalho. Mas acima de tudo e em qualquer hipótese não deixaria que queimassem meu soutien para que não perdesse o que considero existir de melhor: a  nossa natureza feminina. Que vejo hoje, mais do que nunca, como uma condição sagrada que não se pode perder de vista e merece ser resgatada.

Se Angela Merkel lesse estas linhas me chamaria de  "demente" como se referiu às mulheres que querem passar mais tempo em casa e Simone de Beauvoir, ícone de força e independência feminina, com tudo o que fez e remexeu,  tão pouco declarou-se feliz ao fim de tudo. Portanto, razões para reflexão não nos faltam.

Vejo essa data, não como uma continuidade da maratona que empreendemos na busca de  nossos direitos mas como um caminho que nos possibilite continuar lutando com aquilo que temos de melhor: a decisão de continuar sendo mulheres. E que respeito, possa ser um dia, quem sabe, algo além de uma prescrição jurídica.

Esses caminhos sociais certamente tiveram sua relevância mas nos trouxeram também um grande desafio que passa ( ou deveria passar) pela reaproximação dos gêneros.    Acho que estamos todos precisando aprender como nos juntarmos de novo, porque, é disso que o mundo vem sentindo falta.