quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Ela com panelas

Ontem tirei a tarde para visitar uma amiga que não via há tempos. Fomos efusivas, como convém às mulheres que não se encontram há algum tempo. Seguimos do portão direto para a cozinha. Minha amiga estava entretida com panelas, numa cozinhação que não tinha fim. Enquanto picava cebolas me contava das maravilhas que vinha descobrindo através da filosofia, e que se sentia muito mais curada do que todos os anos de terapia e de todos os comprimidos que já tinha tomado.

Falava da mãe. Do pai, com mais de oitenta anos que estava recém casado.  "Há esperanças! Bradava com a faca empunhada para o alto. "Há esperanças!!!!" Contava dos irmãos. Dos amores passados, futuros e pretéritos. Das reminiscências e das reincidências. E do desastre que podem ser essas duas coisas. Independente da ordem em que aconteçam.  Do trabalho, da manicure, da nova cor do cabelo.Do desequilíbrio da balança comercial, frente à constante oscilação do dólar.

Acessava o Google para me confirmar que cabochá não engorda. Calorias mensuradas dão mais credibilidade aos fatos. E fatos mensurados não engordam.

Perdida entre caçarolas e colheres de pau, mexia um molho branco, que meu- pai-do-céu, não havia meio de engrossar. Eu da minha parte, estava quase sugerindo que acrescentasse mais uma três colheres fartas de maizena, juntasse um vidro de leite de coco e partisse logo para um manjar. Não dava. Ela já tinha postado sal e pimenta à gosto...

Quase uma hora depois, bate as mãos assustadas no avental de plástico: meu Deus!!!! cadê o cachorro??!!!!  O pobre já estava louco e rouco de tanto latir da rua. A Vila Madalena toda já sabia disso, menos nós que estávamos tentando dar o ponto na  vida enquanto o molho não engrossava. Coitadinho do Teichú.

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