Existe uma frase de Freud, no emblemático Caso Dora, que soa quase como uma profecia. Mesmo sem nunca desejar sê-lo e tendo refutado a posição de oráculo, quando escreveu um dos textos inaugurais da psicanálise, A Interpretação dos Sonhos, Freud afirmou que um sonho depende muito mais do sonhador do que da tentativa de adivinhar o futuro.
Mas antes que eu me perca completamente , volto à frase do Caso Dora:
"Nenhum mortal pode guardar um segredo; se sua boca permanece em silêncio, falarão as pontas dos seus dedos..."
Não quero falar de Freud, nem da interpretação dessa frase em seu contexto.
Quero falar de você.
Quero falar de tudo o que ouvi nos seus silêncios, dos seus olhos pousados em mim, da sua mão roçando as pontas dos meus dedos e da importância da minha imaginação em interpretar e guardar cada memória do tempo em que você esteve ao meu lado.
Eu sempre te disse que a melhor distância entre nós era a de um palmo.
Era quando eu sentia tua respiração encontrando a minha, fazendo nuvens, gerando conjecturas, criando um futuro sem existência.
Buscamos juntos um fim porque nunca soubemos buscar uma finalidade.
Estivemos juntos em longos silêncios porque não suportaríamos as palavras que viriam, encerrando aquilo que jamais sonhamos que um dia acabaria. E acabou, mesmo em silêncio.
Nosso segredo sempre foi terminar.
Guardo para mim o segredo dos teus olhos, assim como guardo as coisas incontáveis, intocáveis, incomunicáveis da minha memória.
Claudia Casimiro
Nenhum comentário:
Postar um comentário