Eu me lembro das mulheres. Das mulheres num tempo onde eu era criança. Sábado era o dia de compras na cidade. Famílias inteiras, carroças, carroções, charretes. Vinham arrumadas com os recursos que tinham em casa. Se nada houvesse, ao menos a roupa era limpa, o cabelo escovado.
Eu sentada na escada de pedra do armazém de meu avô materno apreciava o movimento, o trago que os homens pediam, o cheiro que vertiam. As mulheres com seus peitos fartos amamentavam seus bebês redondos. Meu avô arrastava os chinelos, ajeitava os óculos de armação preta, pesadíssimos, que lhe causavam uma cova impressionante no nariz e escondiam a doçura de seus olhos profundamente azuis.
O que era possível comprar era armazenado em sacos de panos brancos, seguiam todos, fartos das coisas da estrada.
Eu esperava o próximo sábado.
Hoje vou para cidade fazer compras, passo baton, perfume, me lembro delas e torço para que ainda entre na calça jeans.

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