sexta-feira, 11 de maio de 2018

A primeira vez que Juan Gelman chamou minha atenção foi através da capa de um livro. A pergunta era inquietante, por isso retirei-o da inércia da estante. Eu não estava inerte diante daquele título inquietante. Lembro-me pouco do que li, mas o título continuou bailando frêmito em meus ânimos.

Aprendi pela vida que num vagar se vai ao longe, que muitas perguntas precisam passar adormecidas, para num dia qualquer, quando ninguém mais se dê conta de seu silêncio, ela apareça fresca e repousada de distâncias e venha nos espreitar, como se desejasse saber se já estamos prontos para ouvir uma resposta.

E hoje, sei lá porque e por onde, essa frase que é o título do livro,  me aparece de novo: "amor que serena, termina?"

Poderia escrever sobre as razões ou desrazões de amor; dos amores adiados, dos nunca acontecidos, das destruições e descontinuidades, das lágrimas, dos arrepios, dos sussurros, do que penso ter acontecido e que não passam de memórias.Nada disso diria sobre o que vivi e descobri mais tarde: o que não serenou, nunca foi amor.

                     "Es dificil reconstruir lo que pasó, la verdad de la memoria lucha contra 
                                                      la memoria de la verdad. (Juan Gelman) 

Argentina (1903 - 2014)

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