Conhecer alguém é algo para mim tão difícil de assimilar quanto compreender o contexto dessa simples frase. Que na verdade não tem nada de simples. Carrega em si algo tão vorazmente detentor de conhecimento como requer um certo semideusismo para atingir tão prodigioso feito.
Sou atacada também por essa dúvida quando ouço mães dizendo que conhecem os próprios filhos.
Eu não conheço o meu. Conheço dele algumas particularidades, nunca vou saber de fato como ele é com amigos, como dança numa balada, como dá seus passos na direção de outrem, quais são seus verdadeiros medos, inseguranças, por onde irá conduzir-se e retroceder tantas vezes quantas necessárias nessa vasta vida.
De suas particularidade lembro-me de uma que me era bastante útil para não perdê-lo de vista na praia. Mar para mim é para olhar. Eu não queira que ele tivesse esse sentimento diante das imensidões, por isso, quando me pedia para entrar na água, eu ficava na areia observando-o. De repente a praia começava a encher, as crianças ficam diminutas na água, como ele não é nenhum nórdico, ficava confundido com tantas outras cabecinhas de cabelos escuros. Sempre pensava porque ainda não tinham inventado um protetor com cores fluorescentes para que eu pudesse distingui-lo no meio da multidão. Ele tinha um jeito (e tem até hoje) de limpar a água dos olhos. Virava os dois punhos para dentro, abria os cotovelos em asas, espalmava os dedos abertos sobre a testa e passava a se livrar do sal no olhos. Era por esse movimento, por essa particularidade, que eu conseguia não perdê-lo de vista diante de imensidões.
Com o tempo ele foi adquirindo outras tantas particularidades. Agora, recém saído da adolescência me parece que outras tantas conheçam a surgir, sempre com caráter transitório, mudando ao sabor do dinamismo dos movimentos que a vida faz, nessa dança que é a nossa existência, onde parece que ao aprender um ritmo, alguém vem e troca a música só para nos fazer aprender um novo jeito de dançar. Tem andado por largas experiências, que bem pouco me dá relato, apenas posso perceber através de nuances de algumas particularidades, ficando com uma leve percepção sobre o homem em que ele está se transformando.
A maternidade vem carregada de muitos mitos sociais que transcendem em grandiosidade de perfeições principalmente nas datas de comemorações dos "dias da mães". O mundo talvez pudesse ser mais simples e os consultórios analíticos menos abarrotados se nos ensinassem desde o berço que tivemos e fomos mães possíveis, nunca mães perfeitas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário