Lemos o texto "O peru de Natal" de Mário de Andrade. Nesse texto, Mário nos fala de um pai de "alma cinzenta", homem honrado e trabalhador mas um "desmancha prazeres"; voltado para o bem estar da família mas que os privava de prazeres e por isso não tem receio em pensar que odeia o pai morto. Resolve então, depois da morte desse pai, fazer um Natal de verdade. Esse Natal de verdade tem que ter peru, com duas farofas, cerveja gelada, a primeira a ser servida será a mãe, que em outros natais sempre servia a todos e acabava por comer somente as lascas do peru e mesmo assim no dia seguinte, garimpadas entre as sobras da festa ...
Um dos participantes da roda de leitura, muito jovem por sinal, rebelou-se completamente contra o próprio pai. Disse ter nascido por um acaso qualquer, abandonado, e criado por uma tia e pela avó, que sempre o lembraram ser ele um grande estorvo. Disse que ninguém nunca o amou na vida. Percebo que os outros participantes da roda tentam ampará-lo, tentando fazê-lo perceber outros pontos de vista, como por exemplo a falta de condição que os próprios pais tinham em criá-lo, por conta do álcool, drogas, etc, etc. Ele se inflamava mais ainda.
No encontro seguinte me trouxe esse texto, escrito de próprio punho dizendo o seguinte;
" Meu Pavão, minha unção...
Hoje acordei pensando o que é ter um pai, pai coruja, pai Deus, pai companheiro ou até pai irmão.
Mas nesse momento tive uma reflexão, que nosso pai é a nossa visão de vida, de alegria, de cura e até de tristeza.
'Me sinto' que o mundo começou e as portas se abriram, onde vi meu grande pai sorrindo, enquanto eu acordava para viver". (sic)
#Leituracura que acontece no Arsenal da Esperança, um abrigo masculinos para homens adultos.
São Paulo 06.06.2016
Link com o texto Peru de Natal na íntegra http://www.cocminas.com.br/arquivos/file/O%20peru%20de%20Natal%20MARIO%20DE%20ANDRADE.pdf

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