Acontecimentos do dia a dia, memórias, sínteses pessoais.Uma maneira de ver o mundo e contar como são esses olhos. Psicanalista, fundadora projeto social leituracura
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
Receita de Homem
(para Vinícius de Moraes)
Os muito bonitos que me perdoem, mas inteligência é fundamental.
É preciso que haja qualquer coisa de vivência, cortesia e muito pé no chão.
Não há meio termo possível.
É preciso que traga em si em partes harmônicas com a mesma medida: doçura e firmeza.
Ao olhar para uma mulher, é preciso, é absolutamente preciso que esses olhos sejam só para ela.
Que acaricie braços, alguma coisa além da carne.
Que tenha caráter.
Que abra e feche portas.
Nádegas são importantíssimas.
Boca, então, nem se fale, que beije com certa maldade inocente, com muita pertinência e bastante correspondência.
É preciso que o antebraço seja bem bonito e termine em ombros firmes.
É preciso que seja pontual na palavras (e no tempo). Um homem de vernáculo fraco é como um rio sem ponte.
Que tenha fé em Deus, não fale nunca Dele e se esqueça sempre de ir à missa.
Que cuide bem da aparência, muito mais embaixo do chuveiro do que na frente do espelho.
Que tenha lances de super-herói.
Sempre conheça em qualquer cidade do mundo, o melhor lugar para ver o por do sol, um restaurante legal e um lugar escondido onde ninguém ainda pisou.
Que seja alto, mulheres gostam de saltos.
Que tenha conta na florista e entenda de geopolítica.
Que tenha mãos grandes e precisas como as de um cirurgião, olhos que sejam de preferência profundos, quentes e verdadeiros.
E que se coloquem sempre lá no invisível, onde existam
estrelas e alguma poesia.
Que não lhe falte dinheiro, tempo e bom gosto para aproveitar a vida.
Tenha amado já muito e errado e agora esteja disposto a amar direito.
Que eu não seja nunca a primeira, para poder ser a última.
Que surja, não venha; parta, não vá.
Que aprecie bebidas fortes porque não dá pra confiar num sujeito que não seja um bom bebedor de whisky.
Que exale sempre o impossível cheiro, cante sempre o inaudível canto, de sua combustão não deixe nunca de ser o que procuro; entre efemeridades traga sua incalculável imperfeição e constitua a coisa mais perfeita de toda a criação inumerável.
E, se eu me morrer de amores, que me pague (ao menos) o enterro e as flores.
#minhabrincadeira com o grande "poetinha", Claudia Casimiro

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