Sabe, esqueci de te falar que a-do-rei o Seu Canteliano ( era esse o nome dele?). O ilhéu que nas férias te contava da ilha, do mar e das coisas da vida. Enquanto você ia contando, eu ia tentando construir uma imagem dele e via cada vez mais a sua. As bulas de remédio, as pilhas usadas, o queijo, o te esperar na praia...
Quando penso nas coisas que me conta, me surpreendo em como você oscila de estatura, idade. Quando senta no chão, te vejo tão menino, adolescente, numa fase em que não te conheci, mas tenho memória de como deveria ter sido. Quando me olha meio de canto de olho, se volta para frente e dá um meio sorriso, te vejo tão homem, tão maduro, tão sedutor. Quando te observo cozinhando, dando de costas e me olhando por cima dos ombros, seus olhos lampejam, faíscam, rimos de alguma bobagem que percebemos juntos e agora, encontrei esses rabiscos, que ficaram por anos esquecidos no meio das minhas anotações.

Nenhum comentário:
Postar um comentário