Senti o seu cheiro e não resisti. Fui devorando suas sílabas, palavras, pontos, vírgulas, me admirei com as exclamações e dei um boa parada diante das interrogações. Consumi todas as frases, parágrafos, nunca, nem uma vez sequer, houve para mim um ponto final.
Sorvi toda a sua poesia, me embalei na prosa, esqueci a hora de dormir e às vezes perdi até o sono.
Vivi muitas vidas que não eram minhas, me deliciei com os finais menos prováveis, criei tantas imagens que me foram em algum momento, mesmo que não percebesse, norteando os meus próprios passos.
Ouvi vozes. Antropofagie ideias, chorei enxugando lágrimas na ponta do lençol. Você esteve o tempo todo nas minhas mãos. Nunca senti tanto ciúme como sinto de você. Não te empresto e me arrependi (amargamente) por todas as vezes em que você não voltou à mim.
Tenho flores secas muito especiais guardadas dentro de ti. Te manuseio com carinho, já te perfumei delicadamente com gotas de lavanda, te dedilho e até já te beijei.
No final de tudo, percebo que diante de nossas trocas, foi você quem me possuiu completamente.
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