sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O valor da Arte

O processo de criação artistica transcende explicações,  portanto, nenhuma tentativa em explicar o inexplicável.  O que adquire dimensão é pensar como a vida se tornaria tão insossa quanto pouco palatável sem a arte.

Nas inúmeras e diversas formas de manifestação,  o artista extraí,  suga do seu mundo imaterial a sua obra. Vivências  e memórias executadas em caráter genuino levam a criação.   Beethoven foi capaz de valer-se de sua memória auditiva para legar à humanidade uma obra prima  mesmo estando surdo.

A obra, antes de estar exteriorizada no mundo real ( ou pelo menos naquele que julgamos existir), antes de estar materializada, existiu como essência no seu mundo do sentir. Um sentir com outros sentidos,  que precede a execução da obra em si.

Mundo intelectual e vivências da alma se mesclam como águas dos oceanos. Tudo é parte e todo ao mesmo tempo. Ondas de integração numa onda de existir maior. Onde a parte será sempre um fragmento que clama para voltar a pertencer ao todo. Pede para ser arte.

Nossas memórias fragmentadas, que um dia farão parte de um todo, ajudarão não a explicar mas, simplesmente referenciar quem somos nós.

Sem a consciência prévia de individualidade, que paradoxalmente somente adquirimos através do  alheio, não chegaremos a ideia do maior coletivo e passaremos, reiteradamente, a perseguir um pertencer onde não estamos. Partimos, portanto,  de nossos sentimentos mais primordiais, de abstração contemplativa, para nos complementarmos, unirmos aos nossos múltiplos fragmentos. Um mosaico, com muitas peças que se juntando à outras terão a possibilidade de formar o que somos nós.  É por isso que o mundo sem a arte não é possível.  É o outro trazendo a nossa estória na medida que nos emocionamos,  nos impactados, nos inserimos ou somos complementados pela criação alheia. É o outro nos trazendo quem somos nós.  Nessa hora nos sentimos completos como se a vida passasse a exercer sentido indelevelmente.  O artista nos devolvendo a vida que tanto procurávamos.

A partir da criação,  a obra deixa de pertencer ao artista para se doar incondicionalmente à humanidade. E assim, voltamos novamente, aos círculos que se mesclam, as coisas todas e as suas interdependências, até que possam em algum momento existir com o gosto de uma experiência única, de novo e repetidamente, com outros personagens. As memórias das quais fazemos parte e de onde extrairemos o substrato para viver uma vida com arte.



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