Acontecimentos do dia a dia, memórias, sínteses pessoais.Uma maneira de ver o mundo e contar como são esses olhos. Psicanalista, fundadora projeto social leituracura
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
pensamentos outonais
Muitos preferem o verão. Quente, pestilento, chuvoso.
No outono não. As manhãs são azuis, as tardes acobreadas e as noites de céu limpo. Tempo de não decidir. De embrionar. De embrionar-se. A cidade fica linda, parecendo um filme. Paineiras, quaresmeiras e manacás florescerem.
O sol mais rente à terra cria uma luz de cinema para os corações que gostam de se apaixonar. Amores serenados, suaves e profundos, como a estação que está convidando a calarem-se.
Ritmo lento de preguiça, de maturações, de resguardo. Olhar voltado para dentro, onde se mora um eu, que em próximas estações se mostrará encolhido, florescido e depois frenético.
Maturando raízes para alimentar-se de inverno que não tardará a chegar, adormece de um sono esquecido, abre os braços numa temperatura morna, fechando os olhos vai continuando a sonhar.
Se acautelará com as primeiras impressões, observará, mas sem manter-se alerta, isso agora não é necessário. É tempo de entrega, de deixar que brotem os frutos nascidos debaixo do leito da terra, que será o caldo quente dos dias frios.
Na serra, neblina ao amanhecer avisando que o dia vai ser de sol, que a gente vai ter vontade de ser gato se enrodilhando, se espreguiçando nas nesgas daquele morninho. Fumaça branca que o vento sopra na saída da chaminé, cheiro de lenha queimando de um fogo que fica alumiando enquanto a gente continua pensando.
Pensando que não é hora de nada, que a vida segue seguindo, que nem é preciso remar. Que é bem hora de deixar o outono rolar.

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