Tenho visto bandeiras nos mais inusitados lugares, até na torre da igreja. Acho que o Padre aprecia futebol. E finalmente somos lembrados por esse glorioso esporte de que não distingo, por mais que me esforce, um penalty de um escanteio, de que somos brasileiros. Não consigo também me inteirar quando usam essa linguagem futebolística para explicar fatos do cotidiano. Por isso talvez me sinta como uma estranha no ninho ou melhor no gramado. E também um certo incômodo por não entender as cifras milionárias que envolvem essa atividade de que sequer levanta a minha torcida.
Confesso que estive duas vezes em campo por dever de tia e mãe. A primeira para levar meu sobrinho num treino do São Paulo, a segunda para acompanhar o João. Sai como entrei: "desemocionada". Mas os meninos gostaram então ... voilá.
O ufanismo pátrio me faz lembrar dos tempos em que comemorávamos a Semana da Pátria. Fitinhas eram distribuidas nos postos de gasolina para serem amarradas nas antenas dos carros, com a velocidade tremulavam frenéticas por esse país que vai para frente. Aulas eram suprimidas para que aprendêssemos marchar. A fanfarra se afinava toda, desfilávamos de balizas com botas de Cresan pretas, emprestadas por uma colega de escola. Entre marcha e acrobacias seguíamos por palanques de autoridades de quepes, enquanto ouvia dos adultos que não podia falar de política em casa. As notícias chegavam de São Paulo, através da única tia estudante da USP e moradora do CRUSP, que acabou se tornando minha alter ego.
E assim, fomos aprendendo por onde é que a banda toca. Agora o rítmo mudou e toca-se pagode mesmo, misturado com cerveja que patrocina esporte - outra coisa que também não consigo entender..!
Copa ou não Copa essa não é mais a questão. Todo mundo já falou, falou, falo também. A Arena de Manaus com capacidade para 44 mil pessoas, que levou quatro anos para ser concluída, dada a "complexidade" da obra, custou "oficialmente" mais de 700 milhões de reais, vai receber quatro partidas pela Copa. Parece que por lá, como aqui no meu caso, não existe tanto fanatismo assim pelo futebol. O público pagante foi inferior a 500 pessoas por jogo no último campeonato e nunca reuniu mais de 3.00 pessoas por partida em dia de público record. A questão que se levantou foi: qual seria a utilidade de um estádio dessas proporções, terminada a Copa???? Autoridades chegaram a sugerir que o apoteótico estádio que nunca mais vai lotar, faça-se dali um presidio. Aí sim fácil de lotar tendo-se em vista o defict de vagas nas penitenciárias.
Se as autoridades me ouvissem, gostaria de sugerir que os mega estádios se transformassem em bibliotecas depois da Copa. Quem sabe um povo pensante por força que a boa leitura tem, possa decidir ser uma nação que se vista de verde e amarelo todos os dias do ano. Mas é claro que esse meu desejo é só uma bola na trave. Ou uma tremenda de uma bola fora.
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