sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A notícia do dia

Hoje enquanto comia  uma cenoura a caminho do meu interior, pensava em muitas coisas. Uma delas, é como ter mais  paciência. As paradas são múltiplas.  Daria para chegar no México, mas estou apenasmente andando pouco mais de três centenas de quilômetros. Eu que faço esse percurso no stop, preciso mesmo ter 'muitas paciências'.  Mas na vida vamos trocando uma coisa por outra , se não dirijo posso fazer outras coisas. Me animo em ver que tem um jornal em cada poltrona, logo depois desanimo , pois ninguém os lê... O  mundo não lê mas as pessoas nunca foram tão comunicativas, nem tão musicais. Cada um tratando de suas conversas na palma da mão com fones de ouvido pendurados. Fico com vontade de oficiar a empresa de ônibus, sugerindo que não exagere na gentileza, que disponibilize apenas meia dúzia de exemplares, poupando assim toda a cadeia que trouxe esses jornais até as poltronas, para não serem lidos.  O jornal trazia mais da metade de sua edição, vinte e três folhas, que são quarenta e seis páginas  de "Relatórios de Administração" de instituição financeiras. Alguma lei obsoleta deve ter criado essa forma para dar transparência e publicidade ao ato, duvido que algum acionista leia essas baboseiras mas os donos de jornal agradecem. Ordenamentos jurídicos estão ai para serem cumpridos, mesmo que estraguem  o planeta. Senão vejamos.

Então,  mais um menor amarrado ao poste, ontem, no Rio de Janeiro.
Educação, saúde e segurança são atribuições do Estado. Educação e saúde, há tempos chamamos esses encargos aos nossos bolsos, pagando em duplicidade: uma vez através de impostos outra mediante boletos que chegam em nossas casas, pontualmente, todos os meses.

Quando nos foi negado educação e saúde, prontamente assumimos essas funções, contratando escolas caras para nossos filhos e comprando nosso direito de sermos atendidos em hospitais - talvez nem uma nem outra compra venha sendo entregue a contento, mas nos mantivemos   firmes como colaboradores financeiros de atividades que o Estado se negou a  cumprir e  a nos entregar. Agora,  no quesito segurança, também se nega a cumprir e quando o faz, faz mal e porcamente.

A prisão em postes nos acorrenta à todos, indistintamente, de volta à barbárie. Aceitar, entregar ou apoiar que segurança possa ser praticada fora dos limites do Estado, nos coloca num fosso onde não mais existe distinção entre mocinhos e bandidos. Fato de extrema preocupação numa nação tão suscetível a desmandos e arbitrariedades.

Isso e tudo o mais que vem acontecendo América Latina abaixo, quando está ficando tão perigoso virar à esquerda quanto à direita. É bom que nos acautelemos quanto à direção a ser escolhida.

Quando comecei  a escrever  essas linhas não tinha a intenção de falar sobre  nada disso. Pensava em fazer um relato poético sobre meu caminho de volta à casa. Me desculpem, me perdi, fiquei insegura...  A cenoura acabou faz tempo, não estou nem na metade do caminho e me esqueci completamente que é carnaval.

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