domingo, 24 de novembro de 2019

Belisário Capa Preta


O nome dado em batismo foi Belisário, o acréscimo Capa Preta veio depois com vamos explicar no decorrer dessa história.

Belisário Capa Preta, o caçula, de uma família nem pobre nem rica, remediada. Sua mãe Dona Alzirinha era uma mulher muito prestimosa com a casa, cuidadora de tudo que era limpeza e higienização das crianças, comida sempre pronta e na hora certa, mas pouco se dava conta dos filhos. Mimos nem pensar! A arrumação naquela casa sempre veio antes da diversão. De modo que os leitores não ficarão surpresos que a Dona Alzirinha somente foi se dar conta que o filho não falava quando foi chamada na escola pela professora do primeiro ano.

O pai, um sujeito que não logrou êxito em entrar para a Cavalaria do Exército, contentou-se com o ofício de domar mulas, daí muitos atribuírem o comportamento bestial do filho ao ofício do pai.
O menino tinha umas manias esquisitas, gostava de brincar de “arminha”, sempre que alguém o cumprimentava na rua, dirigia-se ao outro como se estivesse empunhando uma cartucheira invisível e ameaçava disparar o gatilho. Ninguém jamais via nada de estranho nisso. Crianças são imaginativas e Belisário que não tinha aprendido a falar, tinha arrumado uma forma de comunicar-se com mundo. De vez enquanto ficava muito irritado a troco de que nunca ninguém sabia dizer porque. Saia dos recintos chutando cadeiras, dando cotovelas, como se tivesse de alguma forma defendendo-se de seres invisíveis. Não tinha paciência e nem civilidade para ficar em ambientes fechados, um dia foi no mercado buscar umas coisas pra mãe e como precisava esperar a sua vez de ser atendido, irritou-se chutando a banca de tomates maduros espatifando-os pelo chão, ainda tomado de fúria pegou a faca afiada de cortar queijo e começou a perfurar as embalagens de óleo, com o facão cortou caixas de leite, quebrou vidros, estilhaçou louça branca pra ser vendida. Não satisfeito entrou no galinheiro que existia no fundo na loja, decepou a cabeça de tudo o que viu pela frente e não tendo nada mais para matar, catou umas mangas maduras e saiu chupando pelo caminho.

Os prejuízos foram contabilizados pelo dono da venda e como o pai não tinha com o que pagar e precisava continuar comprando comida, ofereceu o irmão mais velho de Belisário para serviços gerais já que aquele potro, o filho mais novo, o único que ele não conseguia domar, teria que continuar sendo seu filho e as pessoas estavam cada vez mais dispostas em não o ter por perto. De modo que o menino que não falava foi assumindo uma postura soturna, cada vez mais desinteressada das relações com o outro.

Quando chegou o dia da procissão em que o Padre mais a Santa mais as flores que formava tudo praticamente um altar ambulante em cima de carroça puxada por um burro, descia a Ladeira da Misericórdia, Belisário Capa Preta fez das suas. Esparramou bolinhas de gudes que rodopiando pela única rua asfaltada da cidade entrando pelo meio dos cascos do cavalo, que tropeçando entre ferraduras, asfalto e bolinhas, o altar, a Santa e o Padre se esfalfaram no chão e a procissão precisou terminar pra acudirem o Padre que desde então ficou coxo e mal humorado.  Não aceitou Belisário para fazer o curso de catecismo na sua paróquia. Belisário tomou-se de tal fúria com essa recusa que passou a odiar a igreja, a cúria, até o dia que já sendo homem feito e falante precisou reatar a fé para realizar seus propósitos curriculares.
Quando finalmente é mandado para a escola, Dona Cotinha que já tinha ensinado muito menino que não gostava de aprender, achou que Belisário acabaria por interessar-se pelas aulas, pelas letras e pelas palavras. Foi então que se deu conta que o menino tinha alguma disfunção que ela não conhecia o nome, mas que impedia o garoto de falar.  Belisário Capa Preta que além de não conseguir aprender, por mais esforços que dona Cotinha fizesse, começou a grunhir uns sons estranhos que botavam os alunos indefesos e pequenos ainda mais com medo daquele menino briguento, feio, com os dentes inferiores desencontrados dos superiores, a mandíbula projetada para frente deixando a mostra os dentinhos cotocos de baixo, dando-lhe um certo ar de peixe.

A mãe, Dona Alzirinha, não se botou muito preocupada, achou que tudo se resolveria como Deus quisesse, que o menino mais hora menos hora ia enjoar de ser mudo e quando bem lhe desse na telha ou quando Deus quisesse, começaria a falar.

Dona Cotinha por outro lado, mestra dedicada e preocupada não se aquietou com o conformismo da mãe. Se a família nada fizesse, por falta de recursos ou por falta de vontade, ela iria dar um jeito na coisa. Pensou, pensou, pensou, até que teve a ideia de procurar o único farmacêutico da cidade, que por aquelas bandas tinha mais utilidade que o Padre. Seu Oswaldo tinha as vistas cansadas de tanto ler bula miudinha de remédio. Tinha uma bancada velha nos fundos da loja com uns livros esparramados e empoeirados com as folhas engomadas pelo suor dos dedos. Mesmo sendo de poucas palavras, costumava ouvir as pessoas com atenção e se não acertava pelo menos nunca tinha errado na indicação dos medicamentos. Tinha até curado Dona Laura de frescura, com umas pílulas de açúcar que só ele sabia do que eram feitas. De qualquer forma, essas pastilhas açucaradas para acalmar os nervos lhe deram a permissão para ser respeitado na cidade. Dona Cotinha, sentou, colocou a bolsa de domingo no colo e começou a explicar a situação do menino. Irascível, foi a palavra com a qual ela o resumiu no final. Mas, o que mais a preocupava era o fato do garoto não falar. Seu Oswaldo ouviu tudo muito silenciosamente, prometeu pensar em algo, que lhe desse alguns dias para estudar. Ia pesquisar o caso e ela que voltasse dali uns três ou quatro dias.

No fim do terceiro dia lá estava ela.

- Então, o senhor descobriu algum medicamento que faça o menino falar?
Seu Oswaldo coçou atrás da orelha, aprumou os óculos e lhe entregou um frasco com vários comprimidos. “É um laboratório americano muito conceituado, já fez muita pesquisa com medicamento aqui na América do Sul. Se o medicamento não mata índio ou pobre, eles colocam no mercado em grande escala. Primeiro vendem aqui, e assim vão testando em massas cada vez mais pulverizadas, até que comece a dar problema com quem tem dinheiro. Aí o DRUG&ADMINISTRACION entra em ação e proíbe a venda do medicamento nos Estados Unidos”. Dona Cotinha ficou pasma, não sabia que o Seu Oswaldo sabia falar inglês DRUG e o quê? Mas deixa para lá, era preciso pôr aquele selvagem em marcha, introduzi-lo na linguagem para se tornar um indivíduo civilizado. Dona Cotinha não sabia que seu Oswaldo falava inglês e nem Dona Cotinha imaginava que com esse pensamento ela poderia até ter sido professora do Levi Strauss. Correu atrás do seu selvagem.

Foi até a casa de Alzirinha que enquanto ela explicava como o medicamento tinha que ser ministrado, a dona da casa não parou um minuto de ajeitar coisas no armário da cozinha, mexer o tacho de arroz doce e dar ordens para as crianças menores. Quando Belisário chegou com sua cara de peixe, a mãe meio sem dar muita importância botou o frasco na frente dele e falou “Toma, uma vez por dia, sempre depois do almoço e arranca essas botas que tão me sujando o chão”.
Dalí uns quinze dias o remédio começou a surtir efeito. Belisário chegou na sala de aula, jogou a bolsa furada onde trazia misturado os cadernos, uns lápis sem ponta e um punhado de farelo de bolacha. Parou ao lado de dona Cotinha e puxou conversa:
- Stvrwq ptvbt stmnql
- Que isso menino?
- Stvrwq ptvbt stmngl!
E assim emitiu mais uma dezena de vezes esse emaranhado de desinteligência e como já começa a se pôr indócil diante da mestra a única pessoa capaz de entendê-lo, Dona Cotinha suspendeu as aulas, catou o menino pela mão, foi até a farmácia. Seu Oswaldo esperou que o menino falasse, foi até o fundo da loja pegou um frasco igual ao que tinha dado para Dona Cotinha. Leu, remexeu, coçou atrás da orelha, olhou de novo para o menino e pediu para que ele falasse alguma coisa: “Stvrwq ptvbt stmngl!” Belisário Capa Preta que já começa a se pôr em fúria, repetiu a mesma falta de sentido.
Seu Oswaldo chamou Dona Cotinha no fundo da loja e falou. “Acho que não deu certo. Pelo que li aqui na bula está escrito que esse frasco é das consoantes e até onde me lembro sobre o meu controle de estoque não veio nenhum frasco de vogais. Mas a senhora não se desespere, vou escrever ao laboratório e pedir que me mandem as vogais, enquanto isso continue com os comprimidos, assim, quando o medicamento complementar chegar, ele já vai estar mais familiarizado com as letras. Juntar tudo depois vai ser muito mais fácil”.

Dona Cotinha saiu da farmácia confiante, arrastando aquele menino pelas ruas mormacentas de dezembro. Depositou-o em casa e explicou que ele deveria continuar tomando o remédio. Olhou bem fundo nos olhos dele para extrair dalí algum grau de compreensão, para se garantir de que aquele parvo lhe entendia as ordens.

Esperou-se algum tempo até o dia que o frasco de comprimidos de vogais chegou e Belisário pode fazer seu tratamento completo. Ao cabo de um ano já falava de tudo: vogais, consoantes se transformaram em palavras incessantes e sem controle na boca daquele sujeito. Podia-se dizer que o problema de Belisário sempre foi a fala: no princípio a sua ausência e ao longo dos anos o seu excesso. Não demorou muito para que conseguisse fazer um contato com o conceituado laboratório farmacêutico americano que lhe havia proporcionado o dom da verborragia. O laboratório americano ficou tão entusiasmado com o sucesso do medicamento que resolveu levar o menino de primeira classe para os States para conhecer a Casa Branca e o Presidente da América.  Um caso de amor à primeira vista! Como não sabia onde enfiar as mãos no primeiro encontro bateu-lhe logo uma entusiasmada continência militar. Belisário teve uma identificação imediata com o acerejado mandatário daquela nação, passando a sofrer de um estado de êxtase doentio em relação a figura do Presidente, adotando-o como referência e modelo de supremacia da raça humana, praticamente um ser ariano. Admirava e propagava seus discursos, como se aquele espécime representasse um único e eficaz modelo a ser seguido. É admirável como o recalcado sempre retorna e nesse retorno do recalcado percebemos a índole de uma nação que sempre apreciou macaquear o que vem de fora.
Assegurado em suas bélicas certezas, Belisário dizia tudo que lhe viesse à mente, pois já se encontrava em estado avançado sua incontinência verbal. Voltou a cumprimentar as pessoas fazendo pose de “arminha” como fazia na sua infância (mais uma vez confirma-se aqui nossa tese quanto ao retorno do recalcado...) Passou a sustentar que o melhor para o mundo seria a construção de um muro. E não bastava que o muro fosse construído entre México e Estados Unidos, como queria seu idolatrado salve-salve! Muros deveriam existir em todos os lugares, principalmente em cidades grandes onde o povo estava ficando cada vez mais libertino. Começou a defender a ideia de que deveria existir muro para separar os que querem ser gays daqueles que querem viver uma vida com sexualidade normal. Que se construísse muros cada vez mais altos para separar os que acreditam na pátria, que defendem o Estado vestidos de camisetas amarelas da seleção de futebol. Muros para aqueles que querem portar armas. Muros para aqueles que defendem a tortura. Muros entre homens e mulheres que acreditam que mulheres feias não tem o direito de ser estupradas. Muros para separar aqueles que defendem índios daqueles que querem queimar florestas. Muros para separar aqueles que cagam todos os dias daqueles que só cagam uma vez por semana. Muros para separar quem gosta de ler, daqueles que querem queimar livros em praça pública. Com tantas ideias de muros acabamos voltando a ter cidades medievais devidamente amuralhadas, onde um mito passou a governar para cidadãos legitimamente emparedados.

Fundamos o fundamentalismo nos trópicos.

jardim das delícias -  Bosch - Museu do Prado





segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Enigma e insônia

Sou um enigma que me dá bom dia todos os dias. Às vezes tenho o hábito de não responder. Em busca de certezas perco cada vez mais minha própria razão. Razão é coisa do outro, nunca minha. O pulsar do incerto é que me acompanha durante o café da manhã, me rechaça durante a tarde e vem novamente me encontrar no fim do dia quando começa a escurecer. É sempre no fim da tarde que sinto vontade de voltar para casa. Dizem que 6 da tarde é a hora da solidão, a hora que os pássaros ser recolhem com uma cantoria diferente daquela que saíram para brincar quando o dia amanheceu. Os pássaros não são como gente. Estão sempre estridentemente felizes. Dizem que são muito inteligentes e que possuem sofisticados sistemas de navegação que faz da Nasa um laboratório de ciências como aquele que existia na meu colégio. É também a hora da Ave Maria, se algum sino ainda toca aqui na cidade ninguém é capaz de ouvir. Já desenvolvemos uma capacidade obstinada de não mais ouvir coisas. Acho que essa capacidade de não ouvir está criando um silêncio tal que me provoca insônia durante toda a noite. Aí sim qualquer prenúncio de barulho torna-se um barulhão, não são as coisas de fora e sim as de dentro que não me deixam dormir. Ser gente sempre implicou em solidão e não estou aqui a dizer que isso seja ruim. É o estar só no mundo que possibilita a criação, o encontro com a arte, a apreciação do claro-escuro-incerto que a vida oferece. Estar o tempo todo entre multidões sem encontrar-se com a sua solidão faz com que o mistério desapareça levando nas asas dos pássaros o enigma que precisamos tanto tentar resolver. O mistério de existir é rodeado do incerto, onde o lugar fica sem margens para que a imaginação possa encontrar novas maneiras de voar. É assim que me aproximo das estrelas, abro a janela e pálida de espanto sou capaz de ouví-las durante toda a noite. Não é errância, é poesia.

O PÁSSARO CATIVO
Armas, num galho de árvore, o alçapão.
E, em breve, uma avezinha descuidada, batendo as asas cai na escravidão.

Dás-lhe então, por esplêndida morada, a gaiola dourada.
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo.

Por que é que, tendo tudo, há de ficar o passarinho
mudo, arrepiado e triste, sem cantar?

É que, criança, os pássaros não falam.
Só gorgeando a sua dor exalam, sem que os homens os possam entender.
Se os pássaros falassem,
talvez os teus ouvidos escutassem este cativo pássaro dizer:

"Não quero o teu alpiste!

Gosto mais do alimento que procuro na mata livre em que a voar me viste.
Tenho água fresca num recanto escuro.

Da selva em que nasci; da mata entre os verdores,
tenho frutos e flores, sem precisar de ti!

Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola de haver perdido aquilo que perdi...
Prefiro o ninho humilde, construído de folhas secas, plácido, e escondido.

Entre os galhos das árvores amigas...
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?

Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde, entoar minhas tristíssimas cantigas!

Por que me prendes? Solta-me, covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade!
Não me roubes a minha liberdade...

QUERO VOAR! VOAR!..."

Estas coisas o pássaro diria, se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria, vendo tanta aflição.
E a tua mão, tremendo, lhe abriria a porta da prisão...
Olavo Bilac




quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Questão de amor

Existe duas formas de dizer o amor. Uma delas é dizer do amor sobre a perspectiva de quem ama (ou amou um dia), a  outra é a perspectiva de tentar explicar o amor. Nenhuma delas pode ser coincidente, obviamente, pois experimentar é sempre diferente de imaginar. Não que imaginar não seja um ingrediente poderoso para amar. Embora o amor seja um sentimento universal e humano (as outras espécies se agregam por sobrevivência - não estão preocupadas durante o  acasalamento se o pelo do leão A é mais macio que o pelo do leão B ou se a ameba A tem olhos azuis, uma covinha do lado esquerdo do rosto e fez mestrado numa instituição de primeira linha, o que poderia indicar um caminho para um bom emprego, um bom salário, uma vida confortável). Embora o amor seja um sentimento universal e humano, cada raça, etnia, território tem sua própria maneira de descrever o amor. Amor descrito não é o mesmo que amor vivido, certo? O mundo real não é como o mundo imaginado e talvez nisso o amor vivido encontre componentes para ser abandonado no primeiro round do que se pretendia como construção amororsa. Bauman que o diga.

A ideia de construção amorosa é bastante cultural. Se entendermos a cultura como um processo civilizatório que visa mais do que acolher, fazer como o que o sujeito receba um salvo conduto para viver em sociedade, teremos que muitos dos componentes que tentam balizar o amor são acometidos da visão histórica daquele momento. A cada época, a cada geração são criadas palavras novas para introduzir o amor como conceito e ideia. Nos anos 60, era a liberdade dos corpos garantida pela invenção da pílula anticoncepcional, nos anos 70 era tudo "paz e amor"; nos anos 80 era muito dancing days até que veio a AIDS, para mudar tudo o que tínhamos idealizados como "liberdade" para viver e experimentar o amor. O amor livre e dançante que tínhamos socialmente conquistado pisou o território da morte. Veio a WEB, mudou nossa relação com o mundo, numa velocidade estonteante de informações começou a engolir nossas certezas. O Outro tão fundamental para os exercícios da suposta construção amorosa passou a morar atrás de um teclado performático onde cada um pode aparecer e sumir pela força das mesmas pontas dos dedos que sequer chegaram a tocar o seu corpo. Ficou a saudade de uma amor imaginado como uma hipótese de felicidade e encontro.

A dificuldade do amor não está no tempo que ele dura, na intensidade com que nos alcança, nos caminhos conflitantes que nos aponta. A dificuldade do amor, é que, para me colocar diante do Outro com disponibilidade para criar laços preciso dizer para mim mesma quem sou eu; preciso pisar em territórios incertos, dar de cara como todas as minha dúvidas e incertezas sem que as inúmeras impossibilidades de encontros gerem desencontros reais; preciso entender que o amor traz sempre o seu par correlato em oposição: o abandono. Com tantas coisas que ainda preciso "entender", será que um dia ainda vou conseguir "viver o amor"...?