sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Desliga esse sabiá

Quatro graves e um agudo, agudíssimo e eu com vontade de matar passarinho.
Confesso que quando os 15 homens da prefeitura vieram cortar uma árvore velha e podre em frente ao prédio, não pensei nem na árvore, nem no podre e nem na velha. Pensei apenas: nesse ano não vai ter sabiá. Ledo engano.

Os putos começam a cantoria à partir das 3:00 da manhã e vão até o raiar do dia. Durante o concerto, você dá mil voltas na cama até virar uma múmia presa entre os lençóis e quando o dia clareia você  se levanta sem ter dormido. O concerto já não tem mais conserto.

Conheço já toda a partitura desse estridente coral insuportável. A abertura do festival de dá por volta de final de julho começo de agosto; primeiro são as aulas de treino - pi-pi-pi-piiiiiii (e não sai disso), são os filhotinhos aprendendo a  tornarem-se adultos pentelhos. Essa afinação do coro vai até final de agosto/setembro. Em outubro a coisa bomba, se esgoelam durante a madrugada toda.

Às 6:33 do dia  20 de outubro de 2017 a rua,  finalmente,  está no maior silêncio. Foram descansar ou voar por aí depois de terem acordado meia cidade.

Quem disser que a culpa é da cidade que invadiu o território dos pássaros, gostaria de lembrar que essa anciã metrópole já completou mais de quatro séculos.  E que nem sempre foi assim. Observo esse surto  acontecendo de uns oito anos para cá. Algo aconteceu cuja explicação não tenho,  provocando assustadoramente o aumento da espécie, acarretando esse esquizofrenia aviária (ou a minha...ainda não sei...), que endoidece com a iluminação excessiva da cidade, pensando que é dia. Outra explicação que ouvi é que teria aumentado muito o número de árvores frutíferas na cidade atraindo os pássaros. Sei lá.

Só sei de uma coisa: isso não é um pássaro. Isso é um passaralho!


Procurei a imagem de uma sabiá e me apareceu essa aí em cima... fazer o quê?