terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Elis Regina Atrás da Porta

Assistir algo publicamente tem me tornado um incômodo cada vez maior. Na última vez que fui a um show jurei que nunca mais iria. Incomodou-me tremendamente ver o Zeca Baleiro na imensa tela do celular da mocinha na minha frente. Ontem depois de uma chuva fina entrei no cinema para uma sessão tardia. O homem do meu lado direito, postou o celular na sua poltrona que divisava com a minha e o danado vibrou ininterruptamente a cada três minutos. O mesmo ser, a cada cena do filme não se continha e  manifestava-se verbalmente com a sua madame que comia pipoca nhoc+nhoc+nhoc+nhoc. O cidadão parecia ter comprado a sessão só para os dois ou parecia estar na sala da casa dele com a patroa. A mocinha do meu lado esquerdo também olhou suas mensagens de tempos em tempos, com aquele inevitável facho de luz branca. Fazendo a linha dos incomodados que se mudem,  fui para a primeira fila, onde convenhamos não é o lugar mais cobiçado, por isso restava uma única poltrona vaga. A senhora do meu lado esquerdo, não se continha, a cada cena insistia em fazer coro com ninguém menos que Elis...

Muito bom. Andreia Horta dá um show na tela. O filme recebeu algumas críticas de quem conviveu com a cantora, mas nunca é demais lembrar que cinema é cinema, que vida é vida. A vida do furacão Elis não caberia mesmo em alguns minutos de projeção. Foi visceralmente apimentada. Falando-se de Elis não tem como ditar preferências, mas sempre que ouço "Atrás da Porta" me vem um gosto quente de whisky pela boca.