Era já de tarde, nas horas em que não se distinguem pessoas. O sol ia atravessado o dia sem contar quantas eram. Caminhava por aquela ruas de chão batido, seguindo um canto lamentoso, que parecia mais de morte que uma cantiga de roda. As meninas estavam de mãos dadas formando um circulo ondulante, a mulher que era velha, cantava a sua lamúria. Fiquei de longe para que não sofressem de serem observadas. Quando terminaram fui achegando e perguntei se eram filhas suas. Disse que eram filhas de ninguém e 'se criavam-se' por conta de Deus. Aqueles vestidos curtos e puídos de tanto tanque, os cambitos secos, os cabelos enosados, dava a impressão de que Deus não estava cuidando tão bem assim daquelas crianças.
Milho Verde, Mg, 2010.